A poucos dias do Natal, os idosos que se abrigam nas instituições espalhadas pela cidade se prepararam para celebrar o nascimento de Cristo sem saber das dificuldades que os voluntários passam para mantê-los. Um dos principais obstáculos é a falta de recursos financeiros para pagar o funcionalismo e comprar mantimentos para os “hóspedes”. No mês de dezembro, a situação se complica mais por ser hora de pagar o 13º. Consequentemente, a folha dobra.
Visitadas pela reportagem do Jornal Agora RN, as instituições “Lar da Vovozinha” e “Juvino Barreto” têm tido complicações com convênios, que deveriam auxiliá-las em seu trabalho social e aliviar a carga de preocupações. No caso da “Vovozinha”, que possui parceria com o município, já houve casos em que quatro meses da ajuda – que gera cerca de R$ 13 mil por mês – foram atrasados. Felizmente, a prefeitura conseguiu quitar esse atraso recentemente, possibilitando aos voluntários pagar a folha dos funcionários. Apesar do alívio, a sensação de insegurança continua. Aldenira Barbosa, uma das diretoras voluntárias, explicou como a casa vem enfrentando os percalços.


“Só Deus sabe como conseguimos. A realidade é que ficamos com 70% da aposentadoria das vovozinhas para usar, mas é um valor insignificante. Um custo de uma idosa é de R$ 2.400. O convênio com a prefeitura atrasa muito, e ainda temos o federal que é de R$ 2.250, só que para o tamanho dessa casa é quase nada. Se o dinheiro chegasse regularmente, até daria para aguentar, mas não acontece. Então dependemos muito da sociedade para doação, alimentos, roupas, remédios, dinheiro… mas às vezes não chega. As vovozinhas não têm noção do que fazemos para conseguirmos mantê-las”, contou.
Atualmente, o espaço da instituição suporta 40 vovozinhas e, de acordo com Aldenira, só há vaga quando uma delas falece. Elas raramente vêm com o apoio da família; já houve casos, inclusive, que as idosas foram trazidas pela polícia, em razão de maus tratos da própria família, ou por viverem nas ruas. Para dar conta delas, o “Lar” conta com 32 funcionários, além do voluntariado.
Durante a visita da reportagem, foi possível conhecer o dia a dia das vovozinhas, que possuem suporte para conforto (em quartos divididos) e lazer (com atividades diárias). Grupos de voluntários se reúnem para tocar músicas, ou simplesmente para dar atenção às senhoras de idade – o que, às vezes, conta bem mais para elas.

Além de acolher as idosas, o “Lar da Vovozinha” também tem se preocupado em ampliar seus serviços por meio de um projeto chamado “Abraça Vovozinha”, que tem o objetivo de criar um call center que possa atender em massa as doações. O plano, contudo, enfrenta dificuldades e se tornou mais um item contemplado pelo auxílio dado pela sociedade e pelo governo (quando chega). Enquanto isso, a casa se aguenta como pode para dar uma boa vida e um bom Natal às vovozinhas.
Para doar ao Lar da Vovozinha, a conta vai pelo número 220199-2, agência 0716-1, pelo Banco do Brasil.
Falta de convênio no Juvino Barreto
A Instituição Juvino Barreto, na ativa há 73 anos, enfrenta uma situação parecida com a do Lar da Vovozinha. Não há convênios nem com o município e nem com o Estado desde 2015. A esperança é que no ano que vem a situação mude. Enquanto isso, eles também vão dependendo do bom coração das pessoas para conseguir suprimentos e o que for necessário para dar conforto.

Atualmente, são 48 funcionários remunerados e 15 voluntários fixos. Assim como o “Lar”, os idosos raramente vêm com a família. De acordo com a direção, cerca de 90% vêm trazida pelo Ministério Público ou pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas). Hoje, eles estão se sustentando mais com materiais doados do que com renda e recursos. Isso, todavia, não impede a instituição de superar as dificuldades e conseguir o conforto para os idosos e idosas que lá moram.
Para ajudar o Juvino Barreto, é possível doar pela Caixa Econômica com a agência 0033, operação 003, e conta 155-9, ou pelo Banco do Brasil com a agência 0716-1 e conta 115.451-6.