O deputado estadual George Soares (PV) quebrou o silêncio nesta sexta-feira 12 e falou sobre o rompimento político com o deputado federal João Maia (PP), com quem tinha uma aliança havia mais de uma década. Em nota publicada nas redes sociais, George criticou João por se aliar ao ex-prefeito Ivan Júnior (União Brasil), ferrenho adversário da família Soares em Assú.
A aliança de João com Ivan foi anunciada na última terça-feira 9. Na nota, George afirma que recebeu a notícia “com surpresa”. “Aquela foto de João de mãos dadas com Ivan Júnior anunciando aliança é algo muito estranho diante da nossa jornada e das votações que ajudamos a dar ao deputado em Assu e na região. Uma parceria de 13 anos de muita confiança, amizade e resultados”, afirmou o deputado do Vale do Açu.

George Soares também criticou uma declaração dada por João em entrevista na quinta-feira 11 à Rádio Cidade de Natal. À jornalista Anna Ruth Dantas, o deputado federal disse ter recebido uma mensagem
de George relatando “dificuldade” para votar no deputado. Em 2022, George Soares apoiou a reeleição a deputado federal de João Maia, então presidente do PL do ex-presidente Jair Bolsonaro no RN.
“Não esperávamos esse tipo de coisa de alguém com a história de João. Sobre essa mensagem, reafirmo que tivemos grande dificuldade, sim, para convencer um eleitorado 73% lulista a votar no presidente do partido de Bolsonaro no Estado. Sobre a mensagem, endereçada ao assessor, cobramos explicações, por tantos anos de compromissos e respeito”, destacou George Soares.
Em 2020, Dr. Gustavo, irmão de George, foi eleito prefeito de Assú derrotando Ivan Júnior por apenas
5 votos de maioria. Em 2024, os dois grupos voltam a se enfrentar. Pelo lado dos Soares, o candidato
já definido é Lula Soares, primo de Dr. Gustavo e de George. Na oposição, Ivan Júnior apoia uma chapa formada pela sua mulher, Dra. Vanessa, e pela vice-prefeita dissidente, Fabielle Bezerra. João Maia defende que Fabielle seja candidata, tendo Dra. Vanessa como vice. Na última terça-feira 9, o deputado federal entregou o comando do PP na cidade à aliada.
Sobre isso, George disse na nota: “Ficamos em palanques estaduais diferentes na última eleição (Lula x Bolsonaro, não seria uma grande dificuldade). Mas cumprimos nossa meta em Assú com um excelente resultado, sendo a segunda maior votação de João Maia no estado. Afora isso, não encontramos motivos para João se abraçar com Ivan e Fabielle em Assu, ambos conspiraram para derrotar Gustavo e o próprio João. Seja o que for, é lamentável que João Maia tenha deixado o palanque onde sempre
foi acolhido, valorizado e votado para se abraçar com aqueles que nunca lhe apoiaram”. O deputado estadual finaliza o texto chamando a aliança entre João, Ivan, Dra. Vanessa e Fabielle de “acordão”.
“Esse tipo de episódio deixa claro o que já vínhamos falando. Nossos adversários não pensam na cidade. Só pensam neles. No poder. Pelo poder, são capazes de qualquer coisa. Pagam qualquer preço. Mudam de lado e de cara como quem muda de roupa. Se atacam pela manhã e se abraçam à noite. Diante das pesquisas com mais de 80% de aprovação do prefeito Gustavo, eles ficaram sem rumo e agora tentam emplacar um acordão em Assu. Mas o povo já mostrou no que dão os acordões em nosso estado. Aliás, a nossa sorte é que tudo isso está sendo cada dia mais observado por quem mais importa – e por quem decide: o povo de Assu. Assu diz não ao acordão!”, complementa a nota.
Nova Casa
Com a chegada de Ricardo Lewandowski para comandar o Ministério da Justiça, o secretário-executivo da pasta, Ricardo Cappelli, recebeu aceno do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), com um convite para ocupar cargo no primeiro escalão da gestão municipal. O “zero dois” de Flávio Dino já sinalizou a intenção de deixar o governo. Cappelli foi convidado para integrar o secretariado de Paes, mas ainda sem definição de para qual pasta. De férias com a família, o secretário-executivo ainda não deu uma resposta à proposta.
Valdemar fez o L?
Durante entrevista ao jornal O Diário, da região de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fez acenos a Lula e disse que o presidente “não tem comparação com Bolsonaro”. “Lula não tem comparação com Bolsonaro, completamente diferente. O Lula tem muito prestígio, não o carisma que Bolsonaro tem, mas tem popularidade, é conhecido por todos os brasileiros. O Bolsonaro, não, pois tem um mandato só”, afirmou Valdemar.
Emendas
O ministro das Cidades, Jader Filho, exonerou o ex-deputado Hildo Rocha do cargo de secretário-executivo da pasta. Os dois são filiados ao MDB. Pela manhã, Hildo disse que foi pego de surpresa: “Soube da demissão pelo Diário Oficial”. Integrantes do governo e do MDB dizem que a demissão foi provocada por divergências entre Hildo e o ministro em relação à execução do orçamento da pasta,
inclusive de recursos de emendas parlamentares e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Propina
O governo federal exonerou o servidor Luciano de Freitas Musse de cargo comissionado no Ministério da Educação. Ele foi acusado de participar de um esquema em que pastores evangélicos cobravam propina de prefeitos para a liberação de recursos da pasta para a construção de escolas sob a gestão do ex-ministro Milton Ribeiro, durante o governo Bolsonaro.