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Copa

Danilo transforma retorno ao Brasil em vaga na Copa e vira opção de Ancelotti para o Mundial

Volante do Botafogo superou lesão, perda de espaço na Europa e mudança de posição até garantir lugar entre os convocados da Seleção
Por O Correio de Hoje
05/06/2026 | 13:30

A trajetória de Danilo Santos até a Copa do Mundo de 2026 é marcada por uma sequência de decisões que contrariaram caminhos aparentemente mais seguros. Aos 25 anos, o volante do Botafogo chega ao Mundial como uma das apostas do técnico Carlo Ancelotti após superar dispensas na base, mudanças de posição, uma passagem interrompida por lesões na Europa e a decisão de retornar ao futebol brasileiro quando boa parte dos jogadores de sua geração buscava consolidar carreira no exterior.

Convocado entre os 26 jogadores que representarão o Brasil na Copa do Mundo, Danilo resume sua caminhada em uma palavra: coragem. Foi ela que, segundo o próprio atleta, permitiu transformar momentos de incerteza em oportunidades e recolocá-lo no radar da Seleção Brasileira.

Danilo 01 Copia
Volante do Botafogo supera lesões - Foto: Reprodução

“Aquele passo atrás deu certo para estar bem na Seleção. Um passo para trás que representou dois ou mais para frente”, afirmou ao relembrar sua decisão de deixar o futebol inglês e retornar ao Brasil para defender o Botafogo.

A escolha ocorreu após uma sequência de dificuldades no futebol europeu. Depois de se destacar no Palmeiras e conquistar espaço na Seleção ainda sob o comando de Tite, Danilo seguiu para o Nottingham Forest, da Inglaterra. O projeto de consolidação na Premier League, porém, foi interrompido por uma grave lesão no tornozelo e pela perda de espaço no elenco.

“Foi um período difícil. Quebrar o tornozelo e ver uma temporada inteira passar por lesão, voltar e não ter sequência. Foram coisas que me ajudaram bastante mentalmente e me fortaleceram”, relembrou.

O retorno ao Brasil não foi encarado inicialmente como uma solução natural. O volante admite que sua intenção era permanecer na Europa e recuperar o espaço perdido. A percepção de que precisava acumular minutos em campo para manter vivo o sonho da Copa do Mundo, no entanto, pesou na decisão.

“Eu não queria voltar ao Brasil. Tinha em mente dar a volta por cima e brilhar. Mas é o futebol e a gente não consegue controlar certas coisas. Voltei com um receio de não ter feito a coisa certa.”

A aposta começou a produzir resultados nos primeiros meses deste ano. Com sequência de jogos pelo Botafogo, Danilo recuperou a forma física, voltou a ser observado pela comissão técnica da Seleção e ganhou espaço na equipe nacional.

“De janeiro para cá deu para voltar bem física e mentalmente para mostrar meu futebol”, disse.

A transformação mais importante da carreira, contudo, aconteceu muito antes da experiência europeia. Ainda nas categorias de base do Palmeiras, Danilo deixou de atuar como atacante de lado de campo para se tornar volante, posição que acabaria definindo sua trajetória profissional.

Criado nas categorias de base do Bahia, ele atuava como ponta e meia ofensivo até participar de um torneio internacional na República Tcheca, aos 16 anos. Foi naquele momento que recebeu a oportunidade de atuar no meio-campo e ouviu um conselho que considera decisivo para sua evolução.

“Quando me mudaram para o meio, pediram para eu dar só dois toques. O Gilmey Aymberê disse: ‘Eu sei que você é ponta e gosta de driblar, mas no meio não tem drible, não’.”

A adaptação não foi imediata.

“Entrei no segundo tempo, na primeira bola que peguei, fui driblar dois e perdi a bola. Ele ficou maluco no banco.”

A insistência da comissão técnica e o desenvolvimento de novas características fizeram a mudança prosperar. Com o tempo, Danilo passou a atuar como um meio-campista de maior mobilidade, capaz de participar tanto da construção quanto da marcação.

“Hoje em dia, quando o jogador é box-to-box no meio, torna tudo mais fácil para os companheiros e para o treinador. Eu posso jogar de 5, de 8 e até mesmo de 10. Consigo marcar, atacar e fazer o bate e volta.”

A versatilidade acabou se tornando um dos fatores que chamaram a atenção de Carlo Ancelotti. O treinador italiano, que assumiu a Seleção após a saída de Dorival Júnior, tem valorizado jogadores capazes de exercer múltiplas funções dentro de campo, especialmente em torneios curtos como a Copa do Mundo.

Danilo também precisou lidar com a frustração de ficar fora do Mundial de 2022. Embora tenha participado do ciclo anterior e chegado a ser convocado por Tite, ele não conseguiu assegurar presença no torneio disputado no Catar.

Agora, a realidade é diferente. O volante chega à Copa após desempenhos que considera determinantes nos amistosos diante da França e da Croácia.

“Contra a França, eu sabia que era a chance que eu precisava. Eu tinha que mostrar de qualquer jeito o futebol para ter minutos diante da Croácia e colocar uma dúvida na cabeça do professor Ancelotti.”

A vaga no Mundial tem ainda um significado pessoal para o jogador nascido em Salvador. Danilo guarda lembranças de infância ligadas às Copas do Mundo, quando ajudava a decorar as ruas do bairro durante os torneios.