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Hidrogênio

White Martins inaugura nova planta de hidrogênio verde no Sudeste

Unidade em Jacareí amplia capacidade de produção e integra estratégia de baixo carbono no Brasil
Por O Correio de Hoje
16/04/2026 | 13:58

A White Martins iniciou nesta quarta-feira 15, a operação de sua segunda unidade de produção de hidrogênio verde no Brasil, reforçando sua estratégia de expansão em soluções de baixo carbono. Instalada em Jacareí (SP), a planta atenderá clientes industriais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, principais polos consumidores do país.

Embora o valor do investimento não tenha sido divulgado, o projeto integra o plano de aportes de aproximadamente R$ 1 bilhão previstos pela companhia no Brasil em 2026. Segundo o presidente da empresa e da Linde na América Latina, Gilney Bastos, a nova unidade tem capacidade equivalente a cinco vezes a da planta inaugurada em 2022, em Pernambuco, marcando um avanço relevante na oferta de hidrogênio verde no país.

White Martins Copia
Unidade em SP terá capacidade cinco vezes maior que a anterior e mira demanda industrial em processo de expansão - Foto: divulgação

A iniciativa também cumpre papel estratégico de demonstração tecnológica. De acordo com Bastos, a unidade funcionará como vitrine para clientes industriais interessados em compreender a aplicação prática do hidrogênio verde, considerado uma das principais alternativas para a descarbonização de processos produtivos. A produção utiliza energia renovável, como fontes solar e eólica, e o insumo é posteriormente distribuído em forma gasosa para os clientes.

A empresa já assegurou contratos para cerca de 20% da capacidade da nova planta, com fornecimento à fabricante de vidros Cebrace, instalada nas proximidades. O restante da produção será direcionado a setores como metalurgia, alimentos e química. Paralelamente, a companhia negocia com empresas interessadas na implementação de unidades próprias de hidrogênio verde dentro de suas fábricas, modelo semelhante ao adotado em projetos de geração de energia solar para autoprodução.

O avanço ocorre em um contexto de consolidação da estratégia brasileira para o hidrogênio de baixo carbono, com a criação de marcos regulatórios e incentivos para atrair investimentos. Ainda assim, projetos voltados à exportação enfrentam incertezas diante do cenário geopolítico global, marcado por conflitos recentes que elevaram a prioridade da segurança energética em detrimento da diversificação das matrizes.

Na avaliação de Felipe Diniz, sócio da Mirrow & Co, o Brasil reúne condições competitivas para se posicionar entre os principais produtores globais, impulsionado por sua matriz energética limpa. A expectativa é que o custo de produção do hidrogênio verde no país atinja níveis próximos a US$ 1,50 por quilo nos próximos anos, entre os mais baixos do mundo.

Apesar do potencial, especialistas apontam a necessidade de avanços regulatórios e estruturais para viabilizar projetos em larga escala. A publicação de decretos complementares ao marco legal, a superação de gargalos na transmissão de energia e a conversão de anúncios em decisões efetivas de investimento são apontadas como etapas críticas. Atualmente, sete projetos industriais, que somam cerca de R$ 63 bilhões, devem avançar para decisão final ainda em 2026, indicando uma janela de oportunidade relevante para o país no mercado global de energia limpa.