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Política

Mulher agredida com mais de 60 socos se filia ao PT no RN e pode ser candidata

Partido confirmou que filiação ocorreu antes do prazo eleitoral de 4 de abril; Juliana Garcia ganhou repercussão nacional após ser agredida pelo ex-namorado em Natal
Redação
09/05/2026 | 05:15

Juliana Garcia dos Santos Soares, que foi vítima de agressões registradas por câmeras de segurança dentro de um elevador em Natal, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Norte. A informação foi divulgada pela presidente estadual da sigla, a vereadora Samanda Alves, e Juliana passou a ser cotada como possível candidata nas eleições deste ano.

O PT confirmou que a filiação ocorreu antes de 4 de abril, prazo estabelecido pela legislação eleitoral para filiação partidária de quem pretende disputar as eleições ou realizar troca de partido. Apesar disso, a entrada de Juliana na legenda só foi tornada pública na quinta-feira 7.

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Presidente do PT-RN, Samanda publicou foto ao lado de Juliana nas redes - Foto: Reprodução/Redes sociais

Em publicação nas redes sociais, Samanda afirmou que a chegada de Juliana ao partido tem relação com o debate sobre violência contra a mulher e participação política feminina. “Receber Juliana Garcia no nosso time no Rio Grande do Norte tem um significado muito forte. Juliana é símbolo da nossa luta por dignidade, respeito e pelo fim da violência que ainda marca a vida de tantas mulheres. Sua coragem transforma a dor em luta coletiva. Tê-la somando ao time do presidente Lula no RN reforça uma convicção que nos guia: defender a vida das mulheres precisa estar no centro da política. Seguiremos juntas, construindo um Brasil onde nenhuma mulher viva com medo”, escreveu.

O caso envolvendo Juliana ganhou repercussão nacional após ela ser agredida com mais de 60 socos pelo então namorado, Igor Eduardo Pereira Cabral, dentro do elevador de um condomínio. As imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que o homem desfere os golpes contra a vítima.

Igor Cabral, ex-jogador profissional de basquete, foi preso em flagrante. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva. Ele segue preso e foi indiciado por tentativa de feminicídio. Segundo depoimento de Juliana, Igor já havia apresentado comportamento agressivo anteriormente e chegou a incentivá-la a tirar a própria vida. Ela também relatou temor pela própria segurança.

Juliana precisou passar por uma cirurgia de reconstrução facial em razão da gravidade das agressões sofridas. O caso ganhou repercussão nacional após a violência cometida contra ela gerar ampla comoção e destaque na mídia.

Juliana celebra prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro

Juliana também voltou a repercutir nas redes sociais após publicar vídeos comentando a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As declarações geraram críticas e ataques de apoiadores do ex-presidente. Em um dos vídeos, Juliana afirmou: “Vocês acham que eu iria ficar do lado de um machista, misógino e que acha que eu sou fruto de uma fraquejada?”.

À época da publicação, ela declarou não possuir filiação partidária e criticou discursos de ódio. “Estão querendo me cancelar pela minha posição política. É sério isso?”. Em outra gravação, acrescentou: “Não tenho partido nenhum. Mas… Tem algumas coisas que eu não tolero. Eu não tolero discurso de ódio. Eu não tolero misoginia. Xenofobia. Eu não tolero você achar que porque você é homem, você é melhor do que eu, do que qualquer outra mulher.”