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Economia

Porto de Natal cresce 30% no primeiro semestre, mas a fruta ainda responde por 60% de tudo que passa pelo cais

Terminal movimentou 222,8 mil toneladas entre janeiro e junho, contra 171,5 mil no mesmo período de 2025; diversificação anunciada com gado vivo, açúcar e minério ainda não alterou o perfil da carga, segundo a própria Codern
Agora RN
21/08/2026 | 16:37

O Porto de Natal movimentou 222.843 toneladas no primeiro semestre de 2026, contra 171.480 toneladas no mesmo período de 2025 — alta de 30%. O ritmo é superior ao do ano passado inteiro, quando o terminal fechou com 494,9 mil toneladas, 21,23% acima das 408,2 mil de 2024, segundo dados da Gerência de Planejamento da Companhia Docas do Rio Grande do Norte.

O crescimento, porém, não veio acompanhado de mudança no perfil da carga. A própria Codern informa que cerca de 60% de toda a movimentação do terminal é de frutas, escoadas por linha direta para a Europa. O restante se distribui entre exportação de sal, importação de trigo e cargas de projeto ligadas ao setor eólico e industrial. Ou seja: a diversificação anunciada — gado vivo, açúcar, minério de ferro — ainda é promessa, não composição de carga.

Vista do cais do Porto de Natal com navio atracado e estruturas de movimentação de carga
Cais do Porto de Natal, que movimentou 222,8 mil toneladas no primeiro semestre de 2026 e passa por seis obras financiadas pelo PAC — Foto: Acervo Agora RN

A frente mais concreta dessa diversificação é a do gado vivo. O porto foi habilitado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para a exportação de animais vivos, após vistorias do Vigiagro, com previsão de primeira operação em modo de teste e embarque de cerca de 3.300 animais com destino ao Líbano. É uma operação que divide opiniões no Estado e que ainda precisa se converter em volume recorrente para pesar na estatística.

Em paralelo corre o pacote de obras. São seis intervenções financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento, que somam aproximadamente R$ 140 milhões: dragagem do canal e da bacia de evolução, recuperação de armazéns e galpões, reforma do prédio operacional, instalação de usina fotovoltaica e substituição das defensas do cais e da Ponte Newton Navarro. A dragagem é a peça central, por ampliar o calado e permitir a atracação de navios maiores.

O presidente da Codern, Paulo Henrique de Macedo, sustenta que as obras permitirão ampliar o calado, recuperar armazéns e atrair novas cargas. O detalhamento do pacote foi publicado por O Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 21.

O pano de fundo é a disputa por carga que hoje escoa por Pernambuco e pelo Ceará. O Estado também estuda uma conexão ferroviária que ligaria a Transnordestina ao complexo portuário, projeto que o Agora RN detalhou em reportagem sobre o estudo da ferrovia até o Porto Verde.

Se o semestre se repetir no segundo, o porto fecha 2026 acima de 440 mil toneladas apenas com o ritmo atual — sem contar o efeito da dragagem, que só deve aparecer nas estatísticas depois de concluída.