O projeto Ferrovias do Rio Grande do Norte entrou em nova fase após a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) confirmar a realização dos Estudos de Viabilidade Técnica e Econômico-Financeira. O trabalho receberá R$ 500 mil e avaliará a implantação de um corredor ferroviário para o transporte de cargas. A análise deverá estimar demanda, investimentos, custos, benefícios e possibilidades de traçado. Os resultados servirão de base para definir o modelo de execução e financiamento do empreendimento.
A proposta foi reformulada em relação ao projeto inicialmente incluído na Carteira de Projetos Estruturantes da Sudene. O novo desenho prevê uma ligação entre o futuro Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte, e os municípios de Mossoró, Apodi e Pau dos Ferros. A ferrovia seguiria até Iguatu, no Ceará, onde poderia ser conectada à malha da Transnordestina. A integração permitiria inserir cargas potiguares nas rotas ferroviárias regionais e nacionais.

O Porto Indústria Verde ocupará posição central no corredor ao funcionar como ponto de entrada e saída de mercadorias. A infraestrutura projetada para Caiçara do Norte poderá movimentar minério de ferro, sal, frutas, produtos industriais e equipamentos do setor de energia. Também poderá atender às futuras cadeias de produção de hidrogênio verde e de geração eólica no mar. A ferrovia reduziria a dependência das rodovias e aproximaria áreas produtoras do interior dos mercados nacional e internacional.
Mossoró poderá concentrar cargas das indústrias salineira, petrolífera, de gás e de fruticultura, além de fertilizantes e outros insumos. Em Apodi, o corredor poderá atender ao transporte de melão, melancia, grãos, equipamentos e produtos agropecuários. Pau dos Ferros é cotada para receber um terminal de consolidação e distribuição de alimentos, carnes, leite, derivados e cargas gerais. Os estudos também avaliarão a mineração potiguar, incluindo o minério de ferro produzido em Jucurutu, apontado como possível carga-âncora.
Segundo o secretário estadual do Planejamento, Alexandre Lima, o levantamento permitirá identificar as cargas e dimensionar os recursos necessários. A combinação entre mineração, agronegócio, indústria e energia será determinante para a sustentação econômica da ferrovia. A conexão com a Transnordestina poderá ampliar as alternativas de escoamento da produção e reduzir custos logísticos. A confirmação do estudo, entretanto, ainda não representa garantia de construção, que dependerá dos resultados técnicos, das licenças e da definição das fontes de financiamento.