A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, equivalente a US$ 10,4 bilhões, no segundo trimestre de 2026. O resultado representa crescimento de 97% em relação ao mesmo período de 2025 e está entre os maiores já alcançados pela companhia em um trimestre. O desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e derivados, pelo preço mais elevado do barril do tipo Brent e pela expansão das exportações.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando a estatal obteve lucro de R$ 32,7 bilhões, houve crescimento de R$ 19,7 bilhões, ou 60,2%. Excluídos os eventos considerados não recorrentes, o lucro líquido chegou a R$ 55,8 bilhões, ou US$ 11,1 bilhões, segundo o balanço divulgado pela empresa.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda ajustado, alcançou R$ 93,8 bilhões, equivalentes a US$ 18,6 bilhões. Sem os eventos exclusivos do trimestre, o indicador somou R$ 100,6 bilhões. O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 61,8 bilhões, alta de 46% em 12 meses.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, avaliou o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Fernando Melgarejo.
A produção própria de petróleo no Brasil chegou a 2,7 milhões de barris por dia, crescimento de 15% sobre o segundo trimestre de 2025. O aumento permitiu ampliar as exportações para um patamar próximo de 1 milhão de barris diários. Ao mesmo tempo, as importações de petróleo recuaram para 89 mil barris por dia, menor volume desde a pandemia.
No refino, o fator de utilização das unidades alcançou 101%. O índice é calculado sobre a capacidade de referência das refinarias e pode superar 100% em períodos de maior eficiência operacional. A produção de derivados atingiu 1,918 milhão de barris por dia, alta de 5,6% ante o primeiro trimestre e de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho incluiu a produção de 509 mil barris por dia de diesel S10 e de 109 mil barris diários de querosene de aviação. Derivados médios, como diesel e querosene, somados à gasolina, responderam por 68% da produção total. O petróleo do pré-sal representou 73% da carga processada nas refinarias, quatro pontos percentuais acima do trimestre anterior.
Com o aumento da oferta própria, as importações de derivados foram reduzidas em 40% na comparação trimestral e chegaram a 67 mil barris por dia, menor volume da série trimestral. As vendas de derivados no mercado interno permaneceram próximas do nível observado no primeiro trimestre, porque o crescimento da comercialização de diesel e gás liquefeito de petróleo compensou a retração dos demais produtos.
A estatal investiu R$ 26,7 bilhões, ou US$ 5,3 bilhões, entre abril e junho. Do total, 82% foram direcionados ao segmento de exploração e produção, o equivalente a aproximadamente R$ 21,9 bilhões. Os recursos foram empregados em novos projetos e em atividades destinadas a sustentar a expansão da produção.
Entre os projetos em execução estão as plataformas P-80, P-82 e P-83, com início das operações previsto para 2027. As unidades fazem parte do programa de expansão da produção no pré-sal e concentram parcela dos investimentos previstos pela empresa para os próximos anos.
A Petrobras encerrou junho com dívida bruta de US$ 70,8 bilhões, abaixo do limite de US$ 75 bilhões definido no Plano de Negócios 2026-2030. A companhia mantém como referência a redução do endividamento para US$ 65 bilhões ao longo do período contemplado pelo plano.
No trimestre, a empresa pagou R$ 88,6 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais e em participações governamentais. O valor foi cerca de R$ 22 bilhões superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O conselho de administração também aprovou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas públicos e privados.
Os dados integram o balanço do segundo trimestre divulgado pela Petrobras. O resultado combina expansão operacional, maior participação do petróleo nacional nas refinarias e redução da dependência de importações, fatores que ampliaram a geração de caixa da companhia no período.