A economia de Natal deve movimentar R$ 30,2 bilhões em 2026, segundo dados do anuário IPC Maps 2026, mas o desempenho representa uma retração nominal de 4,4% em relação ao ano anterior e provocou uma queda expressiva da capital potiguar no ranking nacional de potencial de consumo.
Com o resultado, Natal caiu da 29ª para a 37ª colocação entre os 50 maiores municípios brasileiros analisados pelo levantamento, registrando o maior recuo de posições no país. Entre as 21 capitais presentes no ranking, a retração da capital potiguar foi a segunda mais intensa, atrás apenas de Fortaleza, que teve redução de 4,8%.

Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, a queda no potencial de consumo está associada principalmente à redução do número de domicílios e ao encolhimento das classes médias urbanas.
“Os domicílios urbanos são a base de cálculo do potencial de consumo. Entre 2025 e 2026, a capital potiguar teve redução de 0,6% neste indicador, passando de 266.691 domicílios no ano passado para 265.196 em 2026”, afirmou Pazzini.
O estudo também aponta mudança no perfil socioeconômico da cidade. A classe B registrou retração de 19,4%, enquanto a classe C caiu 4,3%. Em sentido oposto, houve expansão das classes D/E, com crescimento de 18%, e da classe A, que avançou 12,5%. Ainda assim, o aumento da faixa de maior renda não compensou a migração de consumidores para as classes de menor poder aquisitivo.
A classe C segue como principal responsável pelo consumo em Natal, com previsão de movimentar R$ 10,7 bilhões neste ano. A classe B aparece em seguida, com R$ 9 bilhões, enquanto a classe A deve responder por R$ 6,7 bilhões e as classes D/E, por R$ 4,1 bilhões.
O levantamento mostra ainda que os maiores gastos dos consumidores natalenses continuam concentrados em habitação, segmento que inclui aluguel, contas domésticas e pequenos reparos, com previsão de movimentar R$ 5,4 bilhões. Na sequência aparecem outras despesas e serviços em geral, estimados em R$ 5,1 bilhões, alimentação no domicílio (R$ 3,7 bilhões), gastos com veículo próprio (R$ 3,6 bilhões) e alimentação fora de casa (R$ 2,2 bilhões).
Apesar da retração atual, Pazzini avalia que a cidade apresenta indicadores que podem favorecer uma recuperação gradual nos próximos anos, especialmente pelo aumento do número de empresas instaladas no município.
“Em Natal, a quantidade de empresas saiu de 101 mil em 2025 para 111,5 mil neste ano, aumento de 10%. Isso é importante porque o consumo depende de renda que, por sua vez, depende de empregos, os quais dependem da instalação de empresas”, afirmou.
“Então, a tendência é de recuperação desse potencial em 2027 e ao longo dos próximos anos”, acrescentou.
Outros municípios do Rio Grande do Norte também perderam posições no ranking nacional do IPC Maps. Parnamirim caiu da 120ª para a 125ª colocação, enquanto Mossoró passou da 142ª para a 145ª posição.
Diferentemente de Natal, porém, as duas cidades registraram crescimento nominal do potencial de consumo. Parnamirim avançou 7,8%, passando de R$ 10,8 bilhões para R$ 11,7 bilhões, enquanto Mossoró teve alta de 2,7%, de R$ 9,1 bilhões para R$ 9,3 bilhões. Segundo Pazzini, a perda de posições ocorreu porque outros municípios brasileiros cresceram em ritmo mais acelerado.
No recorte estadual, o Rio Grande do Norte manteve a 19ª posição nacional no ranking de potencial de consumo entre 2025 e 2026. O volume projetado para a economia potiguar passou de R$ 101,8 bilhões para R$ 102,4 bilhões, avanço nominal de 0,5%.
Habitação, outras despesas, alimentação no domicílio, gastos com veículos e alimentação fora de casa lideram o consumo no Estado. As classes C e B continuam responsáveis pelas maiores parcelas do mercado consumidor potiguar, com projeções de R$ 36,1 bilhões e R$ 27,8 bilhões, respectivamente.
No cenário nacional, o IPC Maps estima que a economia brasileira deverá movimentar R$ 8,6 trilhões ao longo de 2026, com crescimento real projetado de 2,3%, acima da expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), estimada em 1,8%. A classe C deve responder por quase R$ 2,6 trilhões em consumo no país, equivalente a 36,9% dos gastos previstos.