O Range Rover Velar segue apostando em acabamento sofisticado e conforto como diferenciais em um mercado cada vez mais dominado por telas amplas, comandos digitais e recursos visuais chamativos. Lançado globalmente em 2017, o modelo híbrido da marca britânica chega a 2026 com preço de R$ 773.069 na versão Autobiography PHEV e enfrenta concorrência crescente de fabricantes alemães e chineses no segmento de SUVs de luxo eletrificados.
Produzido em Solihull, na Inglaterra, o Velar surgiu antes da reestruturação da Jaguar Land Rover, que passou a operar sob a sigla JLR e transformou antigos modelos em submarcas independentes. Hoje, o Velar integra oficialmente a linha da marca Range Rover, pertencente ao grupo indiano Tata Group.

O SUV mantém características visuais que ajudaram a consolidar sua identidade no segmento premium, como as maçanetas retráteis embutidas na carroceria e o desenho minimalista da cabine. Elementos introduzidos pelo Velar acabaram reproduzidos por fabricantes chineses nos últimos anos.
O caso mais conhecido é o do Jaecoo 7, apelidado no Reino Unido de “Temu Range Rover”, em referência à plataforma chinesa de comércio eletrônico. O modelo reproduz linhas visuais semelhantes às do SUV britânico.
Apesar da influência estética, o Velar perdeu parte da vantagem tecnológica para concorrentes mais recentes, sobretudo chineses. O conjunto híbrido plug-in combina um motor 2.0 turbo a gasolina de 300 cavalos com um propulsor elétrico de 112 cv, entregando potência combinada de 404 cv e torque total de 65,3 kgfm.
Segundo medições do Instituto Mauá de Tecnologia, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 5,6 segundos. No uso urbano, com a bateria descarregada, o consumo registrado foi de 7,8 km/l.
Em modo totalmente elétrico, o Velar percorreu aproximadamente 50 quilômetros nos testes realizados, acima dos 40 quilômetros divulgados oficialmente pela montadora com base nos critérios do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.
Ainda assim, o desempenho energético do modelo fica abaixo de concorrentes chineses mais recentes, que avançaram em eficiência e autonomia elétrica.
Na experiência ao volante, o Velar mantém foco no conforto. O SUV oferece bancos com aquecimento, ventilação e função de massagem, além de suspensão eletrônica adaptativa voltada à absorção de irregularidades do asfalto. O acabamento interno aposta em couro e materiais de toque refinado, em uma proposta mais discreta do que a adotada por rivais do segmento.
Entre os concorrentes diretos estão o BMW X5, vendido por R$ 859.950, e o Volvo XC60 Polestar, com preço de R$ 539.950. Ambos oferecem condução mais esportiva e suspensões mais firmes.
O Velar, por outro lado, privilegia conforto e isolamento acústico, reforçando a tradição britânica da marca no segmento de luxo.
A JLR, contudo, ainda enfrenta desafios relacionados à percepção de confiabilidade da marca. Custos elevados de manutenção e relatos históricos de problemas eletrônicos e mecânicos continuam impactando a imagem da fabricante no mercado global.
No Brasil, a companhia também atravessa um processo de reorganização operacional. A fábrica de Itatiaia (RJ), atualmente responsável pela montagem local de modelos da marca, vem sendo alvo de interesse de montadoras chinesas interessadas em utilizar estruturas industriais já instaladas no país.
Dados da Abeifa mostram que a produção nacional da JLR caiu no primeiro trimestre deste ano. Foram montados 188 veículos no período, sendo 67 unidades do Range Rover Evoque e 121 unidades do Land Rover Discovery Sport. No mesmo intervalo de 2025, a produção havia somado 307 unidades.
Procurado, o CEO da JLR para a América Latina, João Henrique Garbin de Oliveira, afirmou que a fábrica segue em operação.