O investidor Silvio Tini ampliou sua participação no Grupo Pão de Açúcar (GPA) e se aproximou da posição de maior acionista individual da companhia. Por meio da holding Bonsucex, o empresário passou a deter 24,46% do capital, praticamente igualando a fatia do Grupo Coelho Diniz, que possui 24,6%.
A movimentação ocorre cerca de um mês após Tini se tornar o segundo maior acionista da varejista, superando o Casino, que hoje detém 22,5% da empresa. O grupo francês foi o principal controlador do GPA por mais de uma década, após vencer disputa societária em 2012 contra o empresário Abílio Diniz.

A estratégia de Tini tem sido marcada por aquisições graduais no mercado. A ofensiva começou no fim de novembro, quando sua participação superou 5%. Em dezembro, já havia ultrapassado 10%, avançando para 23,02% em março e, agora, consolidando uma posição próxima à liderança acionária. O movimento ocorre em meio à desvalorização das ações da companhia, que acumulam queda de cerca de 40% na B3 desde o início das compras. Atualmente, a participação do investidor está avaliada em aproximadamente R$ 280 milhões.
O avanço ocorre em um momento sensível para o GPA, que entrou em processo de recuperação extrajudicial em março, após uma série de vendas de ativos e tentativas frustradas de equacionar seu endividamento. O plano apresentado pela companhia envolve dívidas sem garantia estimadas em R$ 4,5 bilhões e exclui obrigações com fornecedores, clientes que não serão impactados pela reestruturação.
A aproximação de Tini ao bloco de controle reforça a disputa acionária em torno da varejista e pode influenciar os rumos da governança e das decisões estratégicas da empresa em meio ao processo de reestruturação financeira.