A campanha da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) pelos data centers ganhou dois novos capítulos nesta sexta-feira 28, um dia depois do evento do Bradesco BBI que discutiu o potencial potiguar em São Paulo. Na reunião do Conselho Regional do SENAI-RN, na Casa da Indústria, em Natal, o presidente Roberto Serquiz resumiu o argumento econômico com um número: “O Rio Grande do Norte produz 10 vezes mais energia do que consome, não está conseguindo escoar essa energia pela rede”, afirmou, segundo o registro oficial da Federação. Atrair centros de processamento de dados, na leitura da entidade, é a forma de consumir localmente a energia renovável que hoje esbarra nos limites de transmissão.
No mesmo dia, a diretoria da FIERN recebeu a diretora-presidente da Neoenergia Cosern, Fabíola Almeida, que apresentou o programa de investimentos de R$ 4,1 bilhões da distribuidora até 2030 — a rede de distribuição é justamente um dos elos da infraestrutura cobrada para viabilizar os empreendimentos digitais.

Os movimentos dão sequência ao encontro de quinta-feira 27 em São Paulo, quando o Bradesco BBI reuniu Codern, Abegás, Cosern, Interjato e o Parque Tecnológico Augusto Severo (PaX) para discutir os data centers verdes no RN, conforme registrou O Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 28. Lá, Serquiz destacou o trabalho de regulação: “Trabalhamos essa regulação para trazer a segurança jurídica em diversas áreas. Também temos a previsão de aprovação da resolução de data centers e de revisão da Lei do Licenciamento Ambiental”, disse, citando as resoluções já aprovadas para armazenamento de energia em baterias e hidrogênio verde.
O RN chega a essa disputa com credenciais mensuráveis: produz cerca de 30% da energia eólica do país, tem 12% da matriz elétrica em solar e potencial eólico no mar de 54,5 GW, segundo o Atlas Eólico e Solar do Estado. A posição geográfica facilita a conexão com cabos submarinos internacionais de fibra óptica — argumento que pesou na escolha do PaX para receber o supercomputador de processamento de inteligência artificial anunciado pelo governo federal em 20 de agosto, dentro do Programa Brasileiro de Inteligência Artificial.
O gargalo, porém, segue sendo o escoamento e as regras do jogo: o Estado ainda busca marcos objetivos para destravar investimentos como a energia eólica no mar. A resolução estadual específica para data centers, segundo Serquiz, está prevista para aprovação — e é o próximo passo institucional da agenda que a FIERN levou de São Paulo para dentro do sistema indústria.