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Inovação

Empresas do RN ampliam acesso a recursos para inovação e pesquisa

Maior participação em projetos financiados pela Finep indica avanço de empresas e instituições potiguares; expansão do crédito e da subvenção no Nordeste amplia oportunidades para pesquisa e desenvolvimento
Agora RN
17/09/2026 | 22:34

Empresas e instituições do Rio Grande do Norte ampliaram, nos últimos dois anos, a participação em projetos aprovados em editais de financiamento à inovação. O movimento ocorre em um período de aumento da oferta de crédito e de recursos não reembolsáveis para pesquisa e desenvolvimento no Nordeste e indica maior presença potiguar nos mecanismos de financiamento disponíveis no País.

O avanço foi apresentado nesta quarta-feira 17 durante reunião da Comissão Temática de Inovação, Ciência e Tecnologia da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Coincitec/Fiern), em Natal. O diagnóstico ficou a cargo da analista do Departamento Regional do Nordeste da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Refaelly Fortunato.

Dois homens sentados à mesa, um deles gesticula ao falar
Djalma Jr., presidente da Coincitec, e Roberto Serquiz, presidente da Fiern, apresentam os dados a empresários — Fiern/Assessoria

Vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Finep financia projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação por meio de instrumentos como crédito, subvenção econômica e recursos não reembolsáveis. A maior participação do RN ocorre justamente quando a instituição amplia a presença no Nordeste.

Entre 2023 e 2025, as contratações da Finep na região mais do que triplicaram em relação ao período de 2019 a 2022. Os recursos não reembolsáveis passaram de R$ 323 milhões para R$ 1 bilhão. No crédito, o volume avançou cerca de 352%, de R$ 310 milhões para R$ 1,4 bilhão.

De 2023 a outubro de 2025, foram contratados quase R$ 3 bilhões para aproximadamente 750 projetos executados no Nordeste. O montante ficou próximo de quatro vezes o registrado entre 2019 e 2022.

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Para o presidente da Coincitec e diretor-tesoureiro da Fiern, Djalma Barbosa da Cunha Júnior, o desempenho indica maior conhecimento das empresas potiguares sobre os instrumentos disponíveis. “As informações demonstram que o Rio Grande do Norte tem evoluído na aprovação para subvenção ou crédito. Isso confirma que o nosso sistema [para articular um ambiente de inovação] tem contribuído para que as empresas do Estado evoluam em maturidade e comecem a entender como funcionam esses editais”, afirmou.

O acesso a esses recursos exige das empresas uma estruturação diferente daquela encontrada em operações convencionais de crédito. Os projetos precisam apresentar objetivos tecnológicos, cronogramas, custos, riscos e resultados esperados. Na subvenção econômica, o recurso destinado à inovação não precisa ser devolvido, desde que as condições previstas nos editais sejam cumpridas.

Nordeste amplia oferta de financiamento

A expansão dos recursos ocorre em diferentes programas. Em 2025, uma chamada destinada à neoindustrialização do Nordeste recebeu 246 propostas, que somaram R$ 127,8 bilhões em investimentos pretendidos, quase 13 vezes os R$ 10 bilhões inicialmente disponibilizados. Do total, 88% tiveram participação de pequenas e médias empresas e 73% envolveram cooperação com instituições de ciência e tecnologia.

Na seleção, foram aprovadas 189 propostas dos nove Estados nordestinos, com R$ 113 bilhões em investimentos previstos. Segundo a Finep, 74% dos projetos selecionados tiveram participação de micro, pequenas e médias empresas. A iniciativa reuniu Finep, BNDES, Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste, além do apoio técnico da Sudene e do Consórcio Nordeste.

Outra frente está na infraestrutura científica. A chamada Pró-Infra Desenvolvimento Regional disponibilizou R$ 600 milhões para Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No resultado referente a 2024, projetos nordestinos receberam R$ 177,2 milhões. A região também ficou com quase R$ 50 milhões dos R$ 113 milhões aprovados em chamadas destinadas a parques tecnológicos.

Para empresas menores, uma segunda rodada de subvenção regional disponibilizou R$ 300 milhões para negócios com faturamento de até R$ 90 milhões. Já o Inovacred liberou R$ 3 bilhões em 2025, maior volume desde a criação do programa, em 2013. Mais de R$ 500 milhões foram contratados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para o primeiro semestre de 2026, a Finep anunciou outros R$ 1,5 bilhão pelo Inovacred, com 30% reservados às três regiões. A ampliação desses instrumentos aumenta a oferta de recursos, mas também intensifica a disputa entre empresas e instituições capazes de estruturar projetos para atender às regras dos programas.

Fiern aproxima indústria e pesquisadores com trabalho da Coincitec

No Rio Grande do Norte, a Coincitec atua na aproximação entre empresas, universidades, instituições de pesquisa e poder público. A comissão reúne diretores e gestores da Fiern, representantes dos sindicatos industriais, instituições de ensino e pesquisa, governo e sociedade civil.

Na abertura da reunião, o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, apontou a diversidade do colegiado como parte do processo de formulação das ações da Federação. “Contar com esse colegiado, em uma área como a inovação, torna as decisões bem mais assertivas”, afirmou.

Uma das iniciativas apresentadas foi a parceria entre Fiern, Sebrae-RN e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (Fapern). O Hackathon de Inovações e Soluções Tecnológicas busca aproximar pesquisadores de empresas para desenvolver respostas a problemas apresentados pelo setor produtivo.

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Em agosto, uma etapa presencial reuniu participantes na Casa da Indústria para trabalhar em dez demandas empresariais. Os projetos envolveram construção civil, indústria têxtil, alimentos, laticínios, reciclagem, logística reversa, resíduos, biotecnologia e distribuição de água mineral.

Participaram empresas como Água Mineral Cristalina, Seridoense (MM Frios), Avançar Construções e Incorporações, Recinfo RN, Reciaço Reciclagem, Vicunha Têxtil, Brasstubos, Microciclo Biotecnologia, Tropical Coco e Laticínio Sertão Seridó. O programa prevê acompanhamento de pesquisador-bolsista durante 12 meses para transformar demandas empresariais em projetos de desenvolvimento, prototipação e aplicação.

A formação de gestores também entrou na pauta. A superintendente do Sesi-RN, Danielle Mafra, relatou a participação no Programa IEL de Educação Executiva Global, que inclui formação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, com conteúdos de liderança e inteligência artificial.

Para a indústria potiguar, a ampliação do acesso aos editais permite financiar projetos próprios e aumentar a cooperação com universidades e instituições científicas. O próximo passo é transformar a maior oferta de recursos no Nordeste em projetos aprovados e executados no Estado, ampliando a participação do RN no financiamento nacional destinado à inovação.