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Agronegócio

Conab projeta safra recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27

Volume é 1,4% maior que o do ciclo atual, mas o rendimento médio das lavouras deve cair 0,9%, e o Banco do Brasil prevê retração do PIB agropecuário em 2027
Agora RN
17/09/2026 | 17:39

A safra de grãos do Brasil pode alcançar 366,6 milhões de toneladas em 2026/27 e cravar novo recorde de produção, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume significa 1,4% a mais, ou cerca de 4,9 milhões de toneladas, que as 361,7 milhões previstas para o ciclo 2025/26, o maior já registrado na série histórica mantida pela estatal.

O número consta do relatório Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27, produzido pela Conab junto com o Banco do Brasil. A companhia é a estatal que acompanha oferta, preços e estoques dos produtos agrícolas no país e publica as estimativas oficiais de cada safra. A diferença em relação ao ciclo anterior está na origem do crescimento. Desta vez, o avanço deve vir principalmente de terra nova incorporada à lavoura, e não de ganho de eficiência: o rendimento médio caminha para recuar.

Grãos de milho caem de tubo de colheitadeira sobre carreta cheia
Colheita de milho, cereal que deve crescer 2,8% e chegar a 148 milhões de toneladas na safra 2026/27 — CNA/Arquivo

A área semeada com grãos deve crescer 2,3%, medida em hectares, unidade que equivale a 10 mil metros quadrados. São 83,45 milhões de hectares em 2025/26 que passam a 85,35 milhões na temporada seguinte. Já a produtividade média cai 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare. Na conta final, o avanço territorial mais do que cobre a perda esperada de rendimento.

A projeção chega depois de um ciclo 2025/26 marcado por recordes de soja e de milho. A produção atual está estimada pela Conab em 361,7 milhões de toneladas, 2,6% acima de 2024/25, com área cultivada de aproximadamente 83,5 milhões de hectares, 1,7% maior.

A soja segue como o principal produto agrícola do país, tanto em área ocupada quanto em receita de exportação. Para 2026/27, a previsão é de colheita recorde de 181,64 milhões de toneladas, 0,7% acima dos 180,41 milhões estimados para a temporada anterior, com área plantada crescendo 1,4%, até 49,31 milhões de hectares.

Aqui também o ganho depende da ampliação de área. A produtividade média da oleaginosa cai 0,8% e fica em 3.683 quilos por hectare. Vale lembrar que, na temporada 2025/26, a soja já havia batido o maior volume anotado pela companhia, com aproximadamente 180,4 milhões de toneladas colhidas.

O milho puxa uma expansão mais forte. Somadas as três safras do cereal, a produção projetada chega a 148 milhões de toneladas. São 2,8% a mais que os 144,01 milhões calculados para o ciclo 2025/26. A área destinada ao milho cresce 4,9% e vai a 23,70 milhões de hectares, enquanto a produtividade média recua 2%, ficando em 6.244 quilos por hectare.

Parte do empurrão vem da demanda interna. A produção de etanol feito a partir do milho ampliou o consumo dentro do país, enquanto as exportações continuam em patamar elevado. As três safras somadas pela estatal são a primeira, plantada no começo do ciclo, a segunda, conhecida como safrinha e semeada logo depois da soja, e a terceira, cultivada em algumas regiões do Norte e do Nordeste. Na safra 2025/26, a procura para ração animal e para a indústria de etanol já tinha levado o cereal ao maior volume da série da Conab.

O algodão deve ficar perto dos níveis recordes atuais. Para a pluma, que é a fibra usada pela indústria têxtil, a estatal projeta 4,16 milhões de toneladas em 2026/27, aumento de 0,3% sobre o ciclo anterior.

Safra recorde, porém, não significa renda folgada no campo. O produtor vende mais, mas gasta mais para plantar. Análises recentes do Banco do Brasil apontam fertilizantes mais caros e incertezas nos mercados internacionais como fatores capazes de apertar a rentabilidade em 2026 e 2027. O banco projeta alta de 1% no PIB agropecuário neste ano e queda de 0,5% no próximo, estimativa sujeita a revisão conforme o clima e os custos dos insumos.

Com o plantio da nova temporada já em andamento em algumas regiões, quem vai dizer se a expansão de quase 2 milhões de hectares projetada pela companhia confirma o terceiro ciclo seguido de crescimento na produção brasileira são o clima, a cotação das commodities e o custo de produzir.