O Rio Grande do Norte tem registrado um aumento nos investimentos em supermercados. Nas últimas semanas, redes locais anunciaram a abertura de novas lojas ou ampliação de estruturas. Segundo a Associação de Supermercados (Assurn), os investimentos são reflexos do bom momento do comércio varejista. Em 2024, o varejo ampliado teve uma alta de 6,5% nas vendas no Estado, bem acima da média nacional, que foi de alta de 4,1%, no melhor desempenho desde 2013.
A Assurn avalia o cenário como reflexo direto de uma transformação econômica em curso, impulsionada pela criação de empregos formais, aumento do poder de compra e maior acesso ao crédito.

“No Brasil, o segmento de supermercados teve crescimento em torno de +4,6% a +5,2% em 2024, com um aumento de 2,3% em número de lojas, chegando a mais de 424 mil unidades. Isso representa o padrão nacional, mas não acompanha o ritmo potiguar, que está sensivelmente acima”, afirmou o presidente da Assurn, Gilvan Mikelyson.
Segundo ele, “crescer rápido traz também desafios – como concorrência feroz, necessidade de logística eficiente, padronização de qualidade, profissionalização de gestão e adaptação ao perfil de consumidores modernos. A Assurn vê esse aumento como parte de uma transformação econômica positiva — com crescimento acima da média nacional, mas também com exigências de maior organização e estratégia para sustentabilidade”.
Para o economista Ricardo Valério, do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), a tendência de expansão das redes de supermercado se dá pela “capilaridade das redes”. Segundo ele, “elas estão cada vez mais caminhando para a opção de abrir supermercados express, que são lojas de tamanho menores, que atuam a nível de bairros e vão ampliando a capilaridade”.
Ricardo explicou que “o mercado está em expansão”. “Se tem uma área que o varejo tem provado é que os supermercados estão faturando, apesar de toda a crise financeira. Estão faturando cada vez mais, com o próprio crescimento da renda da população”. E observou que “há uma tendência muito grande de essa capilaridade das redes continuar em crescimento aqui em Natal”, assim como tem ocorrido no Brasil.
Crescimento do setor exige estratégia para evitar saturação, diz Assurn
Gilvan Mikelyson afirmou que o crescimento no número de supermercados no RN é resultado de uma combinação de fatores. “Por um lado, ele reflete um momento de maior confiança para investimentos no varejo alimentar – tanto de grandes redes quanto de empresários locais que estão apostando em expansão ou modernização das suas unidades. Por outro, é uma resposta clara a mudanças no comportamento do consumidor, que hoje busca mais conveniência, preço competitivo e qualidade no atendimento”.
Ele destacou ainda que “nos últimos anos, o consumidor potiguar passou a valorizar mais a experiência de compra, a proximidade de casa, a variedade de produtos regionais e a presença de marcas em que confia. Isso fez com que muitas empresas identificassem brechas de mercado e oportunidades em bairros antes desassistidos ou em novas zonas de expansão urbana”.
Apesar do otimismo, Gilvan alertou para os riscos de saturação do mercado. “O setor supermercadista trabalha com margens muito apertadas – entre 1% e 3% na média – e qualquer excesso de oferta pode, sim, comprometer a sustentabilidade de alguns negócios. Por isso, defendemos que esse crescimento seja feito com planejamento, análise de viabilidade e foco em eficiência operacional. Crescer por crescer, sem estratégia, pode gerar efeitos contrários no médio prazo”.