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Editorial
Sabe com quem está falando?
Redação
20/07/2020 | 22:11

A ideia de que existem cidadãos de primeira, segunda e de terceira classe é tão arraigada na sociedade brasileira quanto foi confuso o caminho trilhado pelo País nos últimos 120 anos, desde a proclamação da República.
Esqueçam a colonização portuguesa, de quem herdamos o amor pelo cartório. Esqueçam a escravidão, a República Velha ou as duas guerras mundiais.

A elite brasileira nunca foi flor que se cheire, nem ontem e nem hoje.

E, sem invadir o terreno de historiadores e sociólogos, é preciso entender a raiz patrimonialista dessa elite e seu apego à política regional, desde de que os coronéis se apoderaram da República nas primeiras três décadas do século XX e implantaram seus currais eleitorais pelos interiores do Brasil.

Com a revolução de 1930 e o início da era Vargas, pouca coisa mudou na relação dessa elite com o povo. Desde então, o Brasil passou por um golpe militar e por uma redemocratização que nos livrou dessa ditadura, mas nada disso foi suficiente para nos benzer do caráter perverso de uma elite que jamais muda, embora se modernize.

A ideia de trabalhadores crescendo com as empresas ou um ambiente de juros baixos e incentivo à produção, que nos permitisse saltos civilizatórios e de uma educação para todos, foi esmagada por gente que resolveu transformar o Estado brasileiro na sua sala de estar pessoal.

Então, não se assombrem quando um desembargador, em pleno ano da graça de 2020, humilhar dois guardas municipais, estribado na sua autoridade divina da segunda instância, onde se ganha muito e se aposenta pelo teto.

Não se surpreenda que esse seja o modelo vigente, baseado da influência dos amigos, da carteirada, da arrogância de quem realmente se sente superior.

Que esse lixo moral e ético saia de um cidadão que, mesmo gozando da prerrogativa funcional de julgar as causas alheias, dá-se ao luxo de tripudiar de um decreto de caráter sanitário em plena pandemia.

O Brasil não é nada mais do que isso: um país em agonia e com uma elite tão ignorante quanto arrogante.

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