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Editorial
Questão de ponto de vista
Redação
13/07/2020 | 22:19

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que anunciou uma representação à PGR contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, teria toda razão para fazê-lo se o Brasil fosse a Alemanha. Mesmo assim, seria bastante discutível.

A declaração do magistrado, de que o Exército está se associando a um “genocídio” ao permitir, entre outras coisas, que o Ministério da Saúde continue por 60 longos dias sem um titular em meio à crise sanitária instalada no País, e que o atual ocupante seja justamente um general de três estrelas da ativa, instalado ali na interinidade, não fornece boas credenciais ao governo nessa questão.

Não é segredo para ninguém que o presidente Bolsonaro afastou os dois antecessores do general Pazuello, o atual interino, por ambos se recusarem a endossar o protocolo da cloroquina do tratamento do coronavírus – e, em especial, pelo primeiro titular, Luiz Henrique Mandetta, estar brilhando na função mais do que o chefe do Executivo gostaria.

Nesse caso, as palavras duras do ministro Gilmar Mendes até podem ofender, mas não são de todo infundadas, já que o comportamento do presidente na pandemia levou o PDT a denunciá-lo recentemente ao Tribunal Penal Internacional, em Haia.

Bolsonaro é acusado de crimes contra a humanidade por suas falas sobre medidas de isolamento e pela ingerência na saúde.

O fato é que já completou dois meses que o Ministério da Saúde, em plena pandemia, continua sem um titular, no momento em que o País chega perto de 2 milhões de contaminados pelo coronavírus.

Não seria tão relevante se, em meio a isto, Pazuello não tivesse, por vontade do presidente, travado todas as atualizações sobre a evolução do vírus, obrigando que um consórcio de veículos de imprensa assumisse essa responsabilidade.

De onde se conclui que a ala militar do governo Bolsonaro pode até estar irritada com o ministro Gilmar Mendes, mas não pode se eximir de responsabilidade por uma política de saúde que deixou o Brasil na segunda colocação de mortes pelo coronavírus no mundo.

Todos devem assumir suas responsabilidades.

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