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Editorial
O piti do procurador
Redação
30/07/2020 | 23:14

Ao que parece, muita gente no Brasil convive melhor com a mentira do que com a crítica. Ou seja, é preferível uma “fake” atrapalhando a vida da comunidade do que algumas palavras ácidas sobre o comportamento de uma autoridade.

É bem o caso da decisão do juiz Mário Jambo, que mandou apagar três publicações que faziam críticas ao procurador da República Fernando Rocha no “Blog do BG”.

No vídeo divulgado por BG, Fernando Rocha aparece se exercitando em uma academia, poucos dias depois de os estabelecimentos serem reabertos em Natal, o que na opinião do blogueiro estabeleceu uma contradição.

Afinal, o procurador se notabilizou nos últimos tempos como um ferrenho defensor do isolamento social na qualidade de (então) integrante do grupo de trabalho do Ministério Público para a elaboração de ações de enfrentamento da pandemia no Rio Grande do Norte.

O problema é que, em seguida ou pouco antes ou ao mesmo tempo, Rocha apresentou uma queixa-crime pedindo a retirada do ar dos conteúdos. Aí, tanto o procurador quanto o juiz que concedeu o pedido erraram feio.

Desde que o mundo é mundo, o exercício da crítica, desde que não agrida a honra ou calunie, é do jogo democrático. Errado seria questionar uma conduta com base em algo que não aconteceu.

Quando o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta foi obrigado a sair do Mistério da Saúde por sua firme defesa do isolamento social, foi literalmente esculhambado pelo apresentador José Luiz Datena, por ter abraçado uma colaboradora numa festinha de despedida. Mais tarde, o político Mandetta reconheceu o erro e até chegou a dizer que mereceu a bronca. Só que Fernando Rocha, no fundo, não gostou de ser confrontado e contou com a solidariedade do juiz Mário Jambo nisso.

Este jornal, que sempre defendeu o isolamento social como forma de conter a expansão do novo coronavírus, acha que o procurador, que vinha acertando tanto, precisa cultivar um couro mais espesso ao lidar com as coisas da democracia.

E que o juiz Jambo, um homem decente, reflita sobre as questões realmente fundamentais deste país, como as fake news, que – essas sim – assolam a democracia.

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