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Editorial
Faca antes do garfo
Redação
03/08/2020 | 23:36

A ideia de uma reforma tributária que não seja antecedida por uma reforma administrativa não é aceitável, especialmente quando propõe minimizar os efeitos formidáveis da crise sanitária pela via de um garfo enferrujado.

Ou seja, manter o mesmo Estado paquidérmico, repleto de privilégios, enquanto obriga os cidadãos a pagarem por uma conta que eles não pediram.

Caminhando muito em breve para 100 mil mortes oficiais pela Covid-19, o Brasil não pode mais ser brindado com esse tipo de saída fiscal, que não cabe mais dentro da prodigiosa pobreza da sociedade brasileira, na qual quem ganha R$ 2 mil por mês é considerado um classe-média.

Nesse caso, a concentração de renda é apenas um agravante da crise maior intensificada pela pandemia, mas que por si só já vinha crescendo nos últimos 100 anos sem qualquer tipo de reparo por parte da elite econômica cravada como um carrapato no couro do Estado brasileiro.

Amigos das realezas, em seus diferentes momentos, empresários pouco competitivos reinaram em berço esplêndido por décadas, comendo parte da riqueza do País, enquanto as condições gerais impostas por um capitalismo de Estado consumiam o resto do cadáver em políticas erráticas, incompetentes e corruptas.

Ao devastar o mundo, a pandemia do coronavírus apenas expôs a fratura já exposta da sociedade, realçada agora pelo reacionarismo de um governo que, a pretexto de caçar inimigos invisíveis, compromete o próprio projeto de capitalismo brasileiro.

Para combater 14 anos de administrações petistas, um governo de extrema direita reforça uma nova casta – a militar -, como se já não bastasse as existentes dentro dos demais poderes, com especial destaque ao Judiciário. Só que agora a economia do país, mais do que já esteve, encontrou a devastação, com milhares de empresas fechadas e milhões de desempregados a mais do que no ano passado.

Por isso, antes de se falar em como arrecadar, é preciso que o governo conjugue o verbo cortar.

Especialmente com a lâmina correndo na própria carne.

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