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Editorial

A mídia e o poder

Agora RN
18/06/2020 | 03:34

Que a notícia espetacular ganhou força com a internet, não há a menor dúvida. Mas esses domínios não são apenas o principado das fake news.

Hoje, os veículos de comunicação são pautados mais por recados de autoridades em redes sociais do que propriamente pelo trabalho concreto de suas gestões ou mandatos.

A mídia e o poder

Da mesma forma, os “offs” tomaram conta das notícias divulgadas pela imprensa a partir da necessidade de ambos os lados, fontes e jornalistas, produzirem material de audiência garantida, atendendo seus interesses.

Só para explicar, o “off the record” ou “fora de registro” na tradução literal do inglês, é a declaração, informação ou avaliação de fonte anônima, cuja a autoria o jornalista tem o direito profissional de proteger.

Em outras palavras, é quando a fonte não quer se identificar ao passar uma informação privilegiada ao repórter.

Trata-se de um expediente legítimo, mas que tem sido excessivamente usado nos tempos atuais, contribuindo para pôr em risco o crédito de muitas dessas informações, embora garantindo com frequência bons “furos”, expressão usada no meio para qualificar as notícias exclusivas.

Com o presidente Jair Bolsonaro, esse uso ostensivo das redes sociais meio que enfraqueceu o poder os “offs”a partir do Palácio do Planalto na medida em que ele próprio fabrica e põe para circular suas próprias “bombas”. E, assim, mobilizar simpatizantes, enquanto manda recados aos desafetos.

Ao tomar posse nesta quarta-feira como ministro das Comunicações, o deputado federal Fábio Faria fez todo um discurso pela conciliação com a mídia e lembrou a força que tem a internet nas mãos do presidente a quem elogiou como um inovador dessa mídia.

Que a sorte brinde o parlamentar nessa nova empreitada, já que a estrada à frente é repleta de armadilhas.