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Thiago Medeiros

“Nós contra eles”: A narrativa que ainda divide o Brasil

Confira a coluna de Thiago Barreto
Thiago Medeiros
10/07/2025 | 05:02

A política brasileira segue marcada por uma lógica que aprofunda divisões: o discurso do “nós contra eles”. Essa narrativa tem sido usada tanto pelo presidente Lula quanto pelo bolsonarismo como forma de mobilização, mas seus efeitos são nocivos para o debate democrático.

Lula, desde o início de sua trajetória, constrói sua imagem como representante do povo contra uma elite opressora. Sua volta ao poder em 2023 reforçou essa retórica. O presidente frequentemente aponta seus adversários como inimigos do progresso e da justiça social. O tom confrontador é usado para fortalecer sua base, mas contribui para o clima de hostilidade política.

A margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, coloca os dois pré-candidatos em um cenário de empate técnico | Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O bolsonarismo, por sua vez, adota a mesma fórmula, mas com sinais trocados. Apresenta-se como defensor da liberdade, da família e da moral, em oposição a uma esquerda associada à corrupção e ao autoritarismo. Esse discurso não só reforça o sentimento de ameaça, como também estimula atitudes radicais — como se viu nos ataques às instituições em janeiro de 2023.

Recentemente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Jair Bolsonaro, reforçou esse clima de divisão ao afirmar que o País vive uma disputa entre “o bem e o mal”, colocando Lula e a esquerda no papel de vilões. Essa fala não apenas ecoa o discurso bolsonarista, como também antecipa o tom da próxima disputa eleitoral. O embate político, assim, continua sendo moldado mais pela construção de inimigos do que por propostas concretas.

Essa estratégia beneficia ambos os lados ao manter suas bases mobilizadas. No entanto, seu custo é alto: o enfraquecimento do debate racional, a hostilidade entre cidadãos comuns e a paralisação do país diante de desafios urgentes.

Questões complexas, como educação, saúde, economia e segurança, acabam ofuscadas por batalhas simbólicas. O espaço para mediação e consenso se estreita, e a política vira um campo de guerra, onde ceder é visto como fraqueza.

Democracias saudáveis precisam de pluralidade e confronto de ideias, mas também de pontes e diálogos. A insistência na retórica do “nós contra eles” empobrece o debate e alimenta um ciclo de ressentimento.
Enquanto líderes como Lula e os representantes do bolsonarismo continuarem a recorrer a essa lógica excludente, o Brasil dificilmente conseguirá seguir rumo a um lugar tranquilo e desenvolvido.