A estratégia salta aos olhos de qualquer observador mais atento.
Cadu Xavier e Álvaro Dias se “escolheram” como adversários preferenciais, deixando Allyson Bezerra, líder nas pesquisas, em segundo plano.

Quando Cadu defende o legado de Fátima Bezerra, Álvaro contesta de pronto.
— Foi o melhor governo dos últimos 20 anos — dispara o petista.
— O melhor governo entrega o pior ensino médio do país? — rebate o ex-prefeito.
— Ô, prefeito, vai ser assim a campanha toda, com mentiras? Fica feio — replica Cadu.
— Cadu é o grande cobrador de impostos que agora quer ser governador — ataca Álvaro.
E a treta tende a escalar, porque ambos buscam a polarização desde já, ainda na fase de pré-campanha.
O segundo turno dos sonhos para os dois é petistas contra bolsonaristas, repetindo o cenário nacional — Lula versus Flávio Bolsonaro.
Allyson já percebeu a estratégia dos adversários e, ontem, passou a chamar Álvaro de prefeito das “meias obras”.
Na direção de Cadu, o ex-prefeito de Mossoró recorre às platitudes de sempre:
— Não vou governar para um partido. Quero governar para todos — disse Allyson na TV, tentando entrar no radar dos concorrentes.
Por ora, Cadu e Álvaro se esforçam para deixar o homem do chapéu de couro falando sozinho.
Justiça Eleitoral
Cármen Lúcia resolveu arrumar as malas um pouco mais cedo no TSE. A ministra anunciou que deixará o comando da Corte em maio. O plano inicial era seguir no posto até 3 de junho. O bolsonarismo agradece: Kassio Nunes Marques assumirá a presidência, com André Mendonça na vice.
Manda quem pode
A “guerra dos farrapos” não durou dois dias. Edegar Pretto, ex-presidente da Conab, acatou a ordem do PT nacional e desistiu da pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. Aquela história de resistência à intervenção, bradada por Tarso Genro e Olívio Dutra, pelo visto, era bravata. O PT gaúcho passa a apoiar Juliana Brizola, do PDT — neta do velho Leonel Brizola.
Obede quem tem juízo
Desde a redemocratização, esta é a primeira vez que o PT não terá candidato próprio ao governo gaúcho. A sigla já governou o Rio Grande do Sul com Olívio Dutra, eleito em 1998, e com Tarso Genro, em 2010. Agora, prevaleceu a moeda de troca: o PDT exigiu o apoio do PT à neta de Brizola para subir no palanque da reeleição de Lula. Pedido feito, pedido aceito.
Mercado em construção
O alerta de Hugo Fonseca é direto: o Rio Grande do Norte entrou no radar dos data centers, mas ainda não chegou a hora de cantar vitória. A tentação de transformar projeções em realidade imediata é grande — e perigosa. Na visão do secretário, investimento não nasce de expectativa, mas de contrato, demanda concreta e decisão de longo prazo. Antecipar escala sem base não atrai capital — diz Fonseca. Afasta.
Convergência complexa
Na leitura do titular da Sedec, o RN tem ativos relevantes, mas ainda constrói as bases para disputar o mercado de data centers. Energia, localização e interesse institucional ajudam, mas não resolvem. Sem demanda efetiva, conectividade robusta e segurança jurídica, não há escala. Quando a narrativa corre à frente dos fundamentos — alerta Hugo Fonseca — o risco cresce. Investidor não compra promessa. Compra previsibilidade.