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Editorial

Quando a oposição aposta na desgraça

Confira o Editorial desta quarta-feira 11
Editorial
11/02/2026 | 07:03

Bastou chover em Natal e alguns transtornos aparecerem em áreas da cidade para os arautos da desgraça, que representam uma parcela da oposição, surgirem nas redes sociais. Críticas eloquentes à gestão municipal inundaram as redes sociais. Mas oferta de contribuição efetiva para contornar a crise, alguém viu?

O problema não está em cobrar providências do poder público para problemas como alagamentos. Esse, aliás, é o papel de todos os representantes políticos, não só da oposição. Não é disso que se trata. O ponto em questão aqui é que, diante de intercorrências que afetam diretamente a vida de moradores, o que se vê normalmente em relação a uma parcela da oposição é menos disposição para ajudar e mais ânsia por explorar o sofrimento alheio.

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Lagoa transbordando - Foto: Reprodução Josinaldo Nunes

Bons na crítica, barulhentos na posse de um microfone, são discretíssimos quando o assunto é colaboração concreta, encaminhamento de recursos ou disposição real para solucionar problemas.

Os dados divulgados recentemente pela Prefeitura sobre emendas parlamentares ajudam a jogar luz sobre esse comportamento. Enquanto o discurso oposicionista se alimenta da crítica permanente à gestão municipal, especialmente por parte de parlamentares do PT, a prática mostra baixa efetividade no envio de recursos para a capital. Parlamentares do PT estão no fim do ranking de envio de verba para a cidade. O contraste é gritante: muita retórica, pouca ação.

Esse modus operandi não é novo. O filme já foi exibido outras vezes, sempre com o mesmo roteiro. Na engorda da praia de Ponta Negra, uma obra apontada inclusive por ambientalistas como fundamental para conter a erosão costeira e preservar um dos principais cartões-postais da cidade — o Morro do Careca, a oposição se mobilizou intensamente para tentar barrá-la. Não conseguiram. Bastou surgir qualquer intercorrência, como os alagamentos iniciais, antes dos ajustes finais no sistema de drenagem, para que os mesmos atores corressem a apontar o dedo, transformar um problema técnico em tragédia política e fazer da dificuldade alheia um ativo eleitoral. Mas onde estavam as emendas, os projetos, as articulações para viabilizar as intervenções complementares necessárias? O silêncio, como sempre, foi ensurdecedor.

O Parque Linear da Avenida Roberto Freire seguiu a mesma lógica. A Prefeitura apresentou um esboço, uma ideia inicial de projeto, abriu diálogo e se colocou à disposição para fazer ajustes, inclusive para não afrontar o plano de manejo do Parque das Dunas. Do outro lado, especialmente entre parlamentares do PT e aliados da oposição, veio a crítica imediata. Onde estão as propostas para conciliar a preservação ambiental com a necessidade de Natal ter mais espaços de lazer?

Na revisão do Plano Diretor, à época, a bancada do PT se posicionou frontalmente contra a modernização da legislação urbanística. Hoje, quase quatro anos depois, Natal colhe os frutos da revisão: investimentos privados que alcançam a casa dos bilhões, geração de empregos e dinamização da economia local. Ainda assim, a oposição insiste em buscar subterfúgios para travar o desenvolvimento da cidade e jogar insegurança jurídica sobre a economia da cidade, como se o sucesso de Natal fosse um problema político a ser combatido. Qual seria a alternativa? Manter Natal estagnada?

Na área da assistência social, a incoerência se repete. Parlamentares da oposição reclamam com frequência de falhas no atendimento aos mais vulneráveis. No entanto, quando a gestão municipal encaminhou à Câmara um projeto para contratação de empréstimo voltado a investimentos no setor, o PT votou contra. É a velha aposta no quanto pior, melhor.

O quadro se agrava quando se observa o papel do Governo do Estado, controlado pelo PT, que mantém há anos repasses da saúde em atraso para Natal. A capital tem de arcar praticamente sozinha com o atendimento não apenas de seus moradores, mas também de pacientes da região metropolitana. O dado de que Natal possui mais cartões SUS do que habitantes registrados é sintomático. Ainda assim, basta surgir um problema na saúde para que parlamentares petistas ataquem a gestão municipal. Mas não se vê o mesmo ímpeto para cobrar o próprio governo estadual ou articular uma solução para o impasse financeiro dos repasses.

Falta maturidade política à oposição. O prefeito Paulinho Freire (União) tem razão ao classificá-los como oportunistas. A atuação segue a cartilha do desgaste permanente, da exploração da crise e da recusa em colaborar. Dois desses parlamentares — Natália Bonavides e Fernando Mineiro — já disputaram a Prefeitura do Natal, diga-se de passagem. Tentaram governar a cidade. Mesmo assim, parecem não conseguir separar o jogo político do interesse da cidade.

Uma parcela da oposição prefere ver Natal sangrar para, como urubus, sobrevoarem as ruínas em busca de dividendos eleitorais.

Durante a campanha, vale lembrar, Paulinho Freire propôs um acordo público à então adversária Natália Bonavides: que quem fosse derrotado enviasse R$ 20 milhões em emendas para Natal no ano seguinte. A proposta foi rejeitada pela petista, sob a alegação de que emendas estariam sendo deliberadamente perdidas pela Prefeitura. O discurso ficou. O compromisso, não.

O PT nunca governou Natal. Talvez erre ao acreditar que a destruição da cidade seja um atalho para o poder. Enquanto insistir em apostar apenas na desgraça, seguirá distante da confiança do natalense. Quando e se decidir trocar o palanque da tragédia pela política da responsabilidade, talvez tenha, enfim, uma chance real de ser ouvido.