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Editorial

Participação popular e o futuro do maior cartão-postal de Natal

Confira o editorial do Agora RN desta quinta-feira 19
Redação
19/02/2026 | 05:46

A população de Natal tem nas mãos uma oportunidade única de participar ativamente da decisão sobre qual futuro terá um dos principais cartões-postais da cidade. No próximo dia 10, acontece uma nova audiência pública em que os natalenses poderão opinar sobre a configuração da nova Praia de Ponta Negra. A Prefeitura do Natal vai reurbanizar a região, mas, antes, quer ouvir a cidade sobre como isso deve ser feito.

A partir das diretrizes definidas pelas contribuições dos moradores e frequentadores da praia, a Prefeitura vai realizar um concurso nacional de arquitetura e urbanismo. O certame será conduzido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O projeto selecionado na concorrência vai ser colocado em prática em Ponta Negra. Trata-se da segunda etapa da requalificação da região, que iniciou com a obra da engorda.

Prefeitura inicia planejamento para requalificação da “Nova Ponta Negra” - Foto: JOSÉ ALDENIR / AGORA RN
Participação popular e o futuro do maior cartão-postal de Natal - Foto: José Aldenir/Agora RN

A iniciativa da gestão municipal de fazer um processo participativo merece reconhecimento. Ao convocar a população para opinar sobre uma decisão administrativa, a Prefeitura demonstra estar preocupada com as necessidades reais de quem mora, frequenta ou tira seu sustento de Ponta Negra.

Grandes intervenções precisam nascer do diálogo. Nesse sentido, são bem vindas as contribuições de moradores, comerciantes, trabalhadores informais, empreendedores do turismo e frequentadores da praia, entre outros públicos que têm algum tipo de envolvimento com Ponta Negra.

Nas últimas audências já realizadas, os participantes apontaram que esperam da nova Ponta Negra mais arborização, acessibilidade universal, valorização da pesca artesanal e criação de espaços culturais. Na próxima audiência pública, outras sugestões poderão ser dadas. Quem for à reunião poderá ter direito a fala.

A atual gestão tem diante de si uma oportunidade histórica.

O ex-prefeito Álvaro Dias realizou a engorda da praia — intervenção estrutural que se mostrou fundamental para conter o avanço da erosão costeira e que passou a propiciar espaço real para que natalenses e turistas desfrutem da praia. Os recentes eventos realizados na orla mostram o potencial que Natal perdeu sem a engorda nos últimos anos.

Ainda há ajustes necessários, sobretudo no sistema de drenagem, mas o pontapé necessário foi dado.
Agora, cabe ao prefeito Paulinho Freire avançar na etapa seguinte: entregar uma nova orla completa, funcional, moderna e esteticamente compatível com o potencial turístico de Natal.

Hoje, a orla de Ponta Negra está defasada. O calçadão é irregular, pouco convidativo para caminhadas. Faltam áreas estruturadas para práticas esportivas, inclusive náuticas — o kitesurf, por exemplo, cresce no Nordeste e poderia encontrar em Natal um polo organizado, com regras claras e infraestrutura adequada. Falta integração entre paisagismo e mobilidade. Falta ordenamento qualificado. Até mesmo banheiros apresentam problema em Ponta Negra.

Enquanto isso, capitais como Maceió e João Pessoa vêm colhendo frutos de projetos consistentes de requalificação de suas orlas. Não se trata apenas de beleza estética, mas de estratégia econômica. Orlas bem planejadas atraem turistas, elevam a permanência média, estimulam o consumo, valorizam o entorno imobiliário e ampliam a arrecadação municipal. Além de elevar a autoestima de quem mora aqui.

Natal, por sua vocação natural, deveria estar na dianteira desse movimento. Mas a realidade é que hoje apresenta uma orla aquém de seu potencial. Quiosques padronizados, novos equipamentos gastronômicos, espaços esportivos multifuncionais, ciclovias integradas e mobiliário urbano são requisitos mínimos para cidades que competem no mercado turístico.

Paralelamente, é indispensável avançar na organização do comércio ambulante. O comerciante informal não é o problema, é parte da solução econômica da orla. Mas precisa de qualificação. A prefeitura deve aproveitar o processo de requalificação para oferecer capacitação técnica, inclusive cursos de línguas estrangeiras, noções de atendimento ao turista, boas práticas sanitárias e educação financeira. A elevação do padrão do serviço oferecido também aprimora a percepção do destino.

Natal carece de autoestima urbana. Ponta Negra pode ser o eixo simbólico de uma nova fase. Com participação popular legítima, planejamento técnico consistente e decisão política firme, é possível transformar a orla em um espaço à altura do Morro do Careca — ícone natural que há décadas carrega sozinho o peso do marketing turístico da cidade.

O processo está em curso. A população precisa participar. A Prefeitura precisa executar. E o prefeito tem a chance de inscrever seu nome na história como o gestor que não apenas ampliou a faixa de areia, mas redefiniu o desenho urbano do maior ativo turístico de Natal.

A cidade não pode mais esperar.