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Coluna

O dilema não é o rumo, mas o ritmo

Confira a coluna de Vagner Araujo nesta quinta-feira 21
Vagner Araujo
21/03/2024 | 08:06

Em um mundo cada vez mais voltado para a sustentabilidade e o combate ao aquecimento global, a transição energética, isto é, a mudança de fontes energéticas baseadas em combustíveis fósseis para alternativas limpas e renováveis, tornou-se um assunto de urgência global. No entanto, o dilema enfrentado pelas autoridades técnicas e governamentais não é a direção a seguir, mas sim o ritmo dessa transformação.

A pressão para acelerar a transição energética é imensa. Cada relatório sobre mudanças climáticas parece mais alarmante que o anterior, instigando uma corrida contra o tempo. Porém, a realidade é que a substituição de fontes de energia enraizadas em nossa sociedade não é uma questão de simples substituição; é um desafio complexo, intrincado por questões tecnológicas, econômicas e sociais.

Aquecimento Global - Foto: PIXABAY
Aquecimento Global - Foto: PIXABAY

Em meio a debates acalorados e a pressões diversas, o que muitas vezes se perde é o reconhecimento de que a conta ainda não fecha para abandonar completamente os combustíveis fósseis. Os avanços em tecnologias de energias renováveis, embora significativos, ainda não são suficientes para suprir todas as nossas necessidades energéticas. Além disso, a infraestrutura existente, amplamente baseada no petróleo e seus derivados, não pode ser transformada da noite para o dia.

Um erro de cálculo ou uma pressa excessiva nesse processo podem levar a consequências catastróficas. Uma redução abrupta na produção de petróleo, sem alternativas suficientemente viáveis para assumir seu lugar, poderia resultar em uma escalada exponencial dos preços ou, pior, em racionamentos que afetariam não apenas a economia, mas o cotidiano de bilhões de pessoas.

Este cenário alarmante destaca a necessidade de abordar a transição energética com responsabilidade e cautela. As próximas duas a três décadas serão decisivas; espera-se que, durante este período, os desafios tecnológicos e econômicos que hoje limitam o uso de energias renováveis sejam superados. É um jogo de paciência estratégica, onde cada passo deve ser calculado para evitar deslizes que poderiam retardar ainda mais o progresso. Como dizia minha avó, ‘quando se está subindo em árvore não se pode soltar um galho sem está agarrado em outro’.

Além disso, é fundamental estar atento às pressões que podem vir de setores desinformados ou de interesses ocultos. Com cada grande mudança, surgem aqueles que procuram capitalizar sobre o novo paradigma, às vezes propondo “soluções” que servem mais aos seus interesses do que ao bem comum. A transição energética não é exceção, e por isso requer um olhar crítico e ponderado de todos os envolvidos.

Promover a transição energética é indiscutível, a questão é administrar o ritmo dessa mudança. As autoridades devem equilibrar a urgência climática com a realidade prática, assegurando que a transição seja sustentável do ponto de vista ambiental, econômica e social. Somente assim podemos garantir um futuro onde a energia limpa e renovável seja a norma, sem desencadear crises adicionais no processo.