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Thiago Medeiros

O Brasil na tempestade: é hora de a racionalidade falar mais alto

Confira a coluna de Thiago Medeiros deste sábado 09
Thiago Medeiros
09/08/2025 | 04:01

Agosto, mais uma vez, confirma sua fama de mês turbulento, de grande tempestade na política brasileira. O período trouxe um acúmulo de crises e disputas que transformaram o debate público em um campo minado. A temperatura política subiu, a confiança entre instituições se desgastou e a sociedade, já cansada, assiste a uma sucessão de embates que pouco ou nada contribuem para resolver os problemas concretos do País.

Neste cenário, a constatação é inevitável: os extremos — sejam eles de direita ou de esquerda — não têm condições de nos tirar desse atoleiro. Presos às suas trincheiras ideológicas, dedicam-se mais a destruir o adversário do que a construir soluções. E enquanto o País se perde nessa guerra de narrativas, a vida real segue sendo afetada: a economia patina, a insegurança aumenta e a confiança internacional diminui.

Congresso Nacional - Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr

É justamente nesse momento que precisamos levantar vozes sensatas e equilibradas. Lideranças políticas e instituições capazes de dialogar com diferentes campos devem buscar consensos e resgatar o espírito de construção coletiva. Esse papel não deve se restringir aos gabinetes de Brasília. Instituições como a OAB precisam recuperar protagonismo, defendendo o Estado de Direito e atuando como mediadoras firmes e imparciais. O empresariado, igualmente, não pode se omitir — afinal, a instabilidade política corrói investimentos e sufoca a geração de empregos. Setores produtivos têm legitimidade e responsabilidade para pressionar por um ambiente mais estável e racional.

A metáfora da tempestade nos serve bem. Hoje, vivemos sob nuvens carregadas, com relâmpagos que cegam e trovões que ensurdecem políticos que até outrora eram racionais. Em meio a esse caos, é natural que muitos sintam medo ou raiva, mas decisões tomadas sob essas emoções tendem a agravar ainda mais a crise. A única bússola confiável é a racionalidade: avaliar fatos, reconhecer erros, ouvir o contraditório e buscar caminhos viáveis, mesmo que não sejam perfeitos ou imediatos.

O Brasil já passou por momentos duros e deles só saiu quando o diálogo superou o grito e o interesse coletivo prevaleceu sobre a sede de revanche. Esse é o desafio agora: transformar agosto de turbulência em ponto de virada. É hora de resistir à tentação das respostas fáceis e de reconstruir a confiança nas instituições e na política. Talvez no momento não precisamos do lado “animal político”, mas sim do construtor de consenso e pontes.

Porque toda tempestade passa. E quando o sol voltar a brilhar, que ele encontre um Brasil mais maduro, com uma saudável polarização e pronto para seguir adiante — não graças ao grito dos extremos, mas à voz firme e serena da razão.