A reta final do segundo turno no Rio Grande do Norte coloca Allyson Bezerra (União) e Cadu de Lula (PT) diante de um desafio decisivo: transformar suas estratégias em votos. Nos últimos dias, cada movimento importa, cada apoio ganha significado e qualquer erro pode custar caro. Mais do que ampliar a exposição, é hora de compreender o eleitor, disputar os indecisos e mobilizar quem ainda não decidiu se irá às urnas.
Cadu chega a essa fase apresentando uma trajetória de crescimento. Associado ao governo Fátima Bezerra (PT) e contando com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato aposta na força do campo progressista para ampliar sua votação. A questão é saber se o tempo será suficiente para converter essa movimentação em votos e reduzir a distância para Allyson. O apoio presidencial pode ajudar, mas não substitui a necessidade de convencer o eleitor potiguar de que seu projeto responde aos problemas concretos do estado.

Allyson, por sua vez, procura consolidar sua vantagem articulando apoios políticos e ampliando sua presença nos principais colégios eleitorais. A aproximação com o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), fortalece sua estratégia na capital e na Grande Natal, além de projetar movimentos para a disputa municipal de 2028. A eleição estadual, afinal, também começa a desenhar as alianças e os confrontos do próximo ciclo político.
Outro componente importante é o voto bolsonarista. Allyson pode receber parte desse eleitorado, ainda que nem todo eleitor identificado com a direita se reconheça integralmente em sua candidatura. O desafio é transformar essa convergência eleitoral em apoio efetivo, sem depender exclusivamente da polarização nacional. Da mesma forma, Cadu precisa compreender que o voto em Lula não significa, automaticamente, adesão ao candidato do PT no RN.
É justamente nesse espaço entre identidade política e escolha eleitoral que a disputa pode ganhar novos contornos. O eleitor não decide apenas por alinhamento ideológico. Avalia também gestão, propostas, alianças, capacidade de governar e expectativas para o futuro. Na reta final, as campanhas precisam dialogar com essas diferentes motivações.
Os últimos dias exigem presença nas cidades, comunicação precisa, mobilização das equipes e atenção aos indecisos. O debate final, ou embate, dependendo da estratégia de cada candidato, também será uma oportunidade para demonstrar preparo, responder às críticas e evitar tropeços.
Cadu precisa sustentar o crescimento e mostrar que ainda pode avançar. Allyson precisa administrar a vantagem, ampliar sua capacidade de mobilização e evitar erros que reabram a disputa. Nenhum apoio, isoladamente, garante resultado.
O eleitor está atento. No fim, a melhor estratégia será aquela capaz de transformar expectativa em voto e intenção em comparecimento às urnas. A pergunta que fica é: quem compreenderá melhor o Rio Grande do Norte e errará menos na batalha final?
Thiago Medeiros é sociólogo