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Editorial

O bom momento do turismo do RN e o que pode melhorar

Confira o editorial do Agora RN deste sábado 3
Editorial
03/01/2026 | 05:50

O turismo potiguar vive um ótimo momento. Nos últimos meses, o Rio Grande do Norte voltou a ocupar o topo da lista dos destinos mais desejados, e o resultado tem sido um aumento no fluxo de visitantes. De janeiro a novembro de 2025 – últimos dados divulgados, o crescimento foi de 26% na entrada de turistas internacionais no Estado.

E esse número tem tudo para crescer nos próximos meses. Na última terça-feira 30, a companhia JetSmart começou a operar um voo direto diário entre Natal e Buenos Aires, capital da Argentina – país que mais emite turistas para o RN. É, de fato, uma grande notícia para o Estado, pois a última vez que o RN havia conquistado um voo internacional regular havia sido em 1999, com a ligação da TAP para Lisboa.

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O bom momento do turismo do RN e o que pode melhorar - Foto: Demis Roussos/Secom

O turismo doméstico também está em alta. Um levantamento da plataforma de viagens Kayak divulgado antes da virada do ano mostrou que Natal estava entre os destinos mais procurados para o período. O resultado é a rede hoteleira quase que totalmente ocupada.

Some-se a isso a visibilidade do RN acentuada por ações de grande alcance no cenário nacional, como a presença da beleza potiguar em programas de destaque da televisão aberta. Depois do Carnatal exibido para boa parte do Brasil, a partir deste fim de semana, um dos principais programas da TV Globo, Caldeirão com Mion, exibirá episódios gravados nas paisagens deslumbrantes de nosso estado.

O sucesso do réveillon em Ponta Negra também compõe o quadro positivo do turismo potiguar. A virada de 2025 para 2026 levou um público superior a 200 mil pessoas à orla, num marco que evidenciou o vigor do segmento e reforçou a atratividade da capital potiguar. Eventos dessa magnitude não só movimentam a economia local em curto prazo, com hotéis, bares, restaurantes e serviços turísticos operando a pleno vapor, como também colocam o destino no calendário de grandes celebrações nacionais, gerando sinalizações positivas para a próxima alta temporada.

A chamada indústria sem chaminé movimenta valores vultosos na economia. É uma atividade extremamente importante especialmente no RN, um estado com baixa industrialização e dificuldades logísticas para atrair grandes investimentos. Um estudo da Fecomércio apontou que, em 2024, o RN registrou uma receita de R$ 11,3 bilhões proveniente do turismo. Foi o maior valor da história. Os dados de 2025 estão por vir. A pesquisa mostrou também que, após a pandemia, o turismo no RN cresceu acima da média nacional.

Mas, com tantos sinais positivos, surgem também demandas que precisam ser enfrentadas de forma estruturada, para que o turismo vá ainda além. A infraestrutura turística e urbana demanda investimentos urgentes. No litoral sul potiguar, turistas que retornam de passeios às praias de Pirangi, Búzios, Tabatinga, Barreta e Camurupim, por exemplo, enfrentam horas de lentidão no trânsito para retornar a Natal. Essa experiência negativa na mobilidade impacta diretamente a percepção do visitante.

Outro ponto crítico diz respeito à necessidade de atrair mais voos regulares e reduzir o preço das passagens aéreas, tornando o destino mais acessível para diferentes perfis de turistas brasileiros. A abertura de rotas internacionais mostra perspectivas promissoras, mas a competitividade do RN ainda depende de sinergias com companhias aéreas, incentivos adequados e políticas públicas que estimulem frequência e preços mais atrativos para o público doméstico e estrangeiro.

A falta de um regramento mais eficiente em áreas como utilização de espaço nas praias, atuação de barraqueiros e operadores de passeios também merece atenção. Esses elementos, quando mal regulados, podem prejudicar a experiência do turista e comprometer a imagem do destino. Estratégias mais assertivas de fiscalização e de ordenamento territorial poderiam equilibrar a atividade econômica local com a satisfação e a segurança dos visitantes.

O Rio Grande do Norte possui ativos ímpares: praias paradisíacas, dunas, cultura local vibrante, gastronomia de excelência e um povo acolhedor. Esses elementos, quando potencializados por políticas consistentes e por investimentos em infraestrutura, podem consolidar o estado entre os principais destinos turísticos do Brasil e do mundo. O momento é promissor, mas exige visão estratégica, diálogo entre setores e decisões firmes para que o turismo potiguar não apenas cresça, mas se sustente de forma equitativa e estruturada ao longo do tempo.