O lançamento da pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado escancarou um paradoxo que pode definir — ou limitar — o seu projeto nacional: antes de enfrentar adversários, terá de vencer o próprio partido.
O PSD chega a 2026 como uma federação de interesses regionais, não como um bloco coeso. Há alas que orbitam o governo Lula, outras que flertam com Flávio Bolsonaro, e ainda segmentos simpáticos a Romeu Zema. Caiado, portanto, não herda uma candidatura — herda uma encruzilhada.

E o primeiro teste veio no próprio ato de lançamento.
Realizado em São Paulo, o evento teve baixa densidade política fora do eixo local. Faltaram governadores, sobrou silêncio.
Nas redes sociais, o constrangimento foi ainda mais eloquente: os 13 pré-candidatos do partido aos governos estaduais ignoraram a candidatura. Entre os sete governadores da legenda, quatro sequer registraram reação pública.
O silêncio, em política, raramente é neutro.
Eduardo Leite, que disputou internamente a vaga, não apenas se manifestou, como o fez em tom de advertência: a escolha, segundo ele, “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”. Traduzindo: não é consenso — é concessão.
Já Ratinho Junior, que era o favorito até recuar para cuidar da própria sucessão no Paraná, foi o único a se manifestar publicamente a favor de Caiado.
Os demais — Marcos Rocha, Raquel Lyra, Fábio Mitidieri e Mateus Simões — preferiram o conforto da omissão.
No Rio Grande do Norte, o silêncio também falou alto. A senadora Zenaide Maia, filiada ao PSD e alinhada ao governo Lula — onde ocupa uma das vice-lideranças —, não deve mover esforços em favor de Caiado, um candidato situado no campo oposto ao seu.
Zenaide simboliza o dilema central do partido.
Porque, no fim das contas, a questão não é apenas se Caiado conseguirá crescer. É se o PSD permitirá que ele cresça.
Sob o comando de Gilberto Kassab, o partido costuma operar no pragmatismo: cada estado decide seu rumo. Ganha capilaridade, perde unidade. Será assim também na eleição presidencial?
Se essa lógica prevalecer, Caiado corre o risco de ser candidato de si mesmo — com estrutura, mas sem partido.
E eleição presidencial exige mais do que isso: exige unidade, ou ao menos sua encenação.
Por ora, Caiado tem o anúncio. Falta-lhe o coro.
Sem coro, não há campanha — há monólogo.
Picolé de chuchu
No bota-fora dos ministros que disputarão as eleições, o presidente Lula confirmou que Geraldo Alckmin será novamente seu companheiro de chapa.
O líder petista até tentou convencê-lo a disputar o Senado por São Paulo, mas o vice-presidente preferiu permanecer onde está. Ou isso — ou a volta para Pindamonhangaba.
Não me mata
Um leitor atento observou que — diferentemente do que parte da imprensa vem noticiando — lideranças políticas enfrentam dificuldade para fechar as nominatas de deputado estadual.
— Até agora, Walter Alves reuniu 16 nomes. Ezequiel não conseguiu citar mais do que 12. E a maior lista, pelo que soube, chegou a 18. Tá difícil, viu? — comentou o observador.
Você viu o Cabeção por aí?
Carlos Eduardo Alves assinou a ficha de filiação ao União Brasil e viajou com a família para os Estados Unidos, informou Laurita Arruda em seu Território Livre. A candidatura ao Senado ainda está em suspenso, à espera de ajustes com a cúpula da legenda.
Marina
Só se fala em Marina Marinho como vice de Cadu Xavier na disputa pelo governo. Se confirmada, a escolha levaria o PT a uma chapa puro-sangue na majoritária — a ex-prefeita de Jandaíra é filiada à legenda.
— Sem o centro, Fátima Bezerra se fechou à esquerda. Agora, quer se fechar com o PT — avaliou um aliado da governadora.