A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que seu governo tirou o Rio Grande do Norte de uma situação de “tragédia”, defendeu obras e indicadores da gestão, apresentou Cadu Xavier (PT) como o nome mais preparado para sucedê-la e fez críticas diretas aos principais adversários da disputa estadual de 2026. Em entrevista à TV Tropical nesta terça-feira 9, a petista disse que Allyson Bezerra (União Brasil) não representa renovação e associou Álvaro Dias (PL) ao bolsonarismo e à extrema direita.
Ao fazer um balanço da administração, Fátima disse que a principal entrega de sua gestão foi reorganizar o Estado, começando pelo pagamento dos servidores. Ela lembrou que assumiu o governo, em 2019, com quatro folhas salariais em atraso, em valor próximo de R$ 1 bilhão, e afirmou que, desde então, não atrasou salários. A governadora também citou a realização de concursos públicos em áreas como segurança, educação, saúde e meio ambiente.

Na segurança pública, Fátima afirmou que o Rio Grande do Norte saiu da condição de estado com altos índices de violência para figurar entre os cinco que mais reduziram a criminalidade no país. Segundo ela, o RN aparece em segundo lugar no Nordeste nesse indicador. A governadora atribuiu o resultado a concursos para recomposição de efetivos, investimentos superiores a R$ 500 milhões, tecnologia, inteligência e valorização dos servidores.
Na educação, a petista disse estar confiante no desempenho do Estado no Ideb 2025. Ela afirmou que as 587 escolas da rede estadual têm conectividade, com Wi-Fi, e-books e notebooks, e disse que as matrículas em tempo integral passaram de 10 mil para mais de 30 mil. Também citou a ampliação da educação profissional e tecnológica, a entrega dos 10 Ierns e um programa de reformas, ampliações e manutenção das escolas estaduais.
Na saúde, Fátima reconheceu que ainda há desafios, mas destacou a ampliação dos leitos de UTI. Segundo ela, o Estado saiu de 147 leitos para mais de 300, enquanto Mossoró passou de 9 para mais de 50. A governadora também afirmou que a média anual de cirurgias subiu de cerca de 39 mil ou 40 mil para aproximadamente 90 mil. Citou ainda a carreta de oftalmologia do programa Agora Tem Mais Especialistas, em parceria com o governo Lula, que já teria realizado mais de 3.200 cirurgias em regiões como Trairi, Santa Cruz e João Câmara.
A governadora defendeu o Hospital Metropolitano, em construção em Parnamirim, como solução para desafogar o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Segundo ela, o Walfredo foi criado quando Natal tinha cerca de 250 mil habitantes e hoje atende uma região metropolitana com aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. Fátima afirmou que o problema do hospital não é falta de gestão, mas demanda acima da capacidade da unidade. O novo hospital, segundo ela, terá 350 leitos, perfil de alta complexidade e previsão de entrega para o segundo semestre de 2027.
Fátima também destacou projetos de desenvolvimento econômico. Citou a assinatura do contrato com o BNDES para estruturação do modelo de concessão e PPP do Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte. Segundo a governadora, o projeto deve mobilizar mais de R$ 6 bilhões em investimentos, gerar mais de 50 mil empregos e funcionar plenamente até 2029. Ela afirmou que o porto estará ligado à agenda de descarbonização, energias renováveis, eólica offshore e hidrogênio verde.
A governadora ainda defendeu a política de incentivos fiscais de sua gestão. Disse que, antes do Proedi, o Estado tinha cerca de 116 ou 119 empresas incentivadas e que hoje são 367, com mais de 62 mil empregos gerados. Afirmou que a modernização da política tributária ajudou a conter a saída de empresas e atrair novos investimentos para o RN.
Na parte política da entrevista, Fátima disse ter sido “traída” pelo vice-governador Walter Alves (MDB), que decidiu não assumir o governo em caso de renúncia dela para disputar o Senado e passou a apoiar uma candidatura adversária. A governadora classificou a decisão como demonstração de “fraqueza política” e “falta de espírito público”, mas afirmou que o episódio é “página virada”.
Ao defender Cadu Xavier, Fátima disse que ele tem preparo, integridade e conhecimento do Estado. A governadora afirmou que Cadu teve papel decisivo no pagamento das folhas atrasadas, na manutenção dos salários em dia, na criação do Proedi e no programa de recuperação de estradas. Segundo ela, o pré-candidato petista reúne as melhores condições técnicas, políticas e administrativas para governar o RN em parceria com Lula.
Fátima também fez críticas aos adversários. Sobre Allyson Bezerra, disse que ele se apresenta como novo, mas questionou “o que de novo ele tem”. A governadora afirmou que a candidatura do ex-prefeito de Mossoró está “tutelada pelas oligarquias do Estado” e disse que os grupos tradicionais estão com ele. Já Álvaro Dias foi associado ao bolsonarismo e à extrema direita. Segundo Fátima, a candidatura do ex-prefeito de Natal representa um campo político que ameaça a democracia.
A governadora afirmou que deseja o apoio do PSDB do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, à candidatura de Cadu. Disse que Ezequiel é aliado desde 2018, mantém parceria institucional com o governo e é uma liderança importante no Estado. Fátima afirmou que a entrada do PSDB fortaleceria a aliança governista.
No encerramento, Fátima disse estar confiante no “time de Lula” no Rio Grande do Norte. Afirmou que pretende levar Cadu ao segundo turno, eleger Samanda Alves (PT) e Rafael Motta (PDT) para o Senado e fortalecer as nominatas proporcionais. Segundo ela, a federação pode disputar até quatro das oito vagas de deputado federal. Para a governadora, a eleição de 2026 será decisiva para impedir que o Rio Grande do Norte e o Brasil retrocedam.