Cadu Xavier preferiu enxergar como ativo político um episódio que, à primeira vista, poderia representar constrangimento para sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Ao comentar a fala do presidente Lula durante a agenda em Luís Gomes, quando o petista reagiu aos gritos de “Cadu, Cadu” dizendo não saber quem era o pré-candidato, o ex-secretário estadual da Fazenda classificou o presidente como “um grande marqueteiro” e sustentou que a repercussão acabou favorecendo seu projeto eleitoral.
A leitura de Cadu é que Lula encontrou uma maneira de reagir à manifestação da plateia sem avançar sobre as limitações impostas pela legislação eleitoral. “O presidente é um grande marqueteiro, né? Porque a legislação eleitoral tem vedações nesse processo”, afirmou ele ontem.

Para o ex-secretário de Fazenda, o resultado prático foi uma exposição que dificilmente teria alcançado por meios convencionais. “Isso rodou o Brasil. Quem não conhecia, passou a conhecer. Quem já conhecia, conheceu mais ainda”, avaliou. Cadu chegou a afirmar que a declaração presidencial lhe foi útil: “O presidente acho que me ajudou muito nessa questão de dizer que não me conhecia, porque agora o Brasil todo repercutiu nisso”.
Na sequência, vinculou o episódio à estratégia que sua campanha pretende consolidar: “Cada vez mais a gente está — o time de Lula, o Cadu de Lula — fortalecido aqui no nosso Estado”.
A interpretação otimista não elimina, porém, um dos principais desafios políticos da pré-candidatura petista: transformar a força eleitoral de Lula no Rio Grande do Norte em votos para Cadu. Questionado diretamente sobre pesquisas que indicam que uma parcela dos eleitores dispostos a votar no presidente não acompanha automaticamente seu candidato ao Governo, Cadu reconheceu, na prática, que essa associação ainda está em construção e apostou no avanço da campanha para reduzir a distância.
Segundo ele, o processo eleitoral ainda está começando e deverá ganhar outra dinâmica com as convenções partidárias e o início formal da disputa. “Naturalmente, com o andar do processo, vai haver essa vinculação da nossa pré-candidatura ainda com o presidente Lula”, afirmou. A estratégia passa por apresentar ao eleitorado potiguar uma associação direta entre a chapa estadual e o presidente: “O povo do nosso Estado vai entender que o nosso palanque, que o palanque do presidente Lula no Rio Grande do Norte, é o palanque de Cadu de Lula, é o palanque de Samanda, de Rafael Motta”.
O nome do PT ao governo aposta que a campanha formal produzirá esse movimento e afirma que “naturalmente esses números vão crescer, a gente vai estar no segundo turno”. Além de Lula, cita como ativos as realizações do governo Fátima Bezerra e procura apresentar sua candidatura não como simples continuidade, mas como “um projeto de avanço, de seguir avançando como o Rio Grande do Norte vem avançando nos últimos anos”.
SEM “CASHBACK”
Cadu Xavier deixou uma provocação no ar ao defender a política econômica do governo Fátima Bezerra e rebater críticas sobre a carga tributária no Rio Grande do Norte. Após afirmar que a atual gestão recuperou a competitividade do Estado e melhorou o ambiente de negócios, o pré-candidato do PT disparou: “A gente governou para todo mundo e sem cobrar nada por isso. No governo da professora Fátima, não teve cashback, como em alguns governos que a gente tem conhecimento aqui no Rio Grande do Norte”.
NOVO BOOM DA FRUTICULTURA
O pré-candidato do PT aposta que a chegada das águas da transposição do São Francisco ao Rio Grande do Norte poderá abrir um novo ciclo para a fruticultura na região Oeste. “A gente tem o Vale do Apodi na região Oeste do Estado que vai ser muito beneficiado”, afirmou. Cadu Xavier projetou que a nova disponibilidade hídrica poderá provocar um “novo boom de fruticultura”, ampliando uma atividade que já tem peso relevante na economia regional.
CONTRA A REELEIÇÃO
José Agripino Maia fez ontem uma espécie de mea-culpa histórica ao comentar a reeleição para cargos do Executivo. O ex-governador e ex-senador afirmou que, se ainda tivesse mandato parlamentar, votaria hoje pelo fim do instituto e pela adoção de um mandato único de cinco anos.
CONVENCIDO
Agripino contou que, na época em que a medida foi discutida no Congresso, defendia uma implantação gradual, começando pelos municípios, passando pelos estados e só depois chegando à Presidência. Segundo ele, acabou convencido pessoalmente por Fernando Henrique Cardoso, durante uma conversa de mais de uma hora e meia no Palácio da Alvorada, de que a continuidade era necessária para consolidar o Plano Real. “Ele me convenceu”, relatou.