O ex-deputado Henrique Eduardo Alves se diz distante do dia a dia da política, mas acompanha com atenção a sucessão estadual. Segundo ele, a governadora Fátima Bezerra foi “pega de surpresa” com a possibilidade de Walter Alves não assumir o governo no próximo ano. Ex-líder do partido do vice-governador, Henrique defende responsabilidade no cumprimento dos acordos políticos. Para ele, não há como o MDB não votar em Lula.
Até que ponto a decisão de Walter Alves (MDB), de não assumir o governo com a saída de Fátima Bezerra, desarruma a sucessão estadual?
Não tenho acompanhado a política no dia a dia. O que posso dizer é que há muito tempo se fala numa sucessão natural. De repente, tudo muda. A governadora Fátima Bezerra foi pega de surpresa. A boa política não recomenda algo assim. É preciso haver previsibilidade e compromisso. Mas cada um está no seu direito e na sua responsabilidade.

O palanque de Lula no RN fica ameaçado com a mudança de planos do vice-governador?
Não acredito, porque não há como o MDB não votar em Lula. Em 2022, o partido já votou nele após ter uma candidata honrada — a ministra Simone Tebet, no primeiro turno daquela eleição. Agora, então, o MDB tem três ministérios no Governo Lula. E o vice Walter Alves foi indicado por Lula. O presidente veio aqui e cobrou isso de Fátima — apoio natural e responsável.
Historicamente, o eleitorado do RN se divide entre duas candidaturas ao Governo do Estado. O senhor acredita numa terceira via? Na sua opinião, quais os nomes mais viáveis na disputa?
Temos vários nomes respeitáveis como candidatos ao governo. Uma terceira ou quarta via pode influenciar no segundo turno. Mas, em termos de visibilidade e apoios, a disputa se concentra em dois nomes: o prefeito Allyson Bezerra, líder nas pesquisas, e o senador Rogério Marinho, líder da extrema direita e do bolsonarismo. O ex-prefeito Álvaro Dias corre por fora, sozinho. O povo ainda está quieto em casa. Na hora certa, fará sua escolha, sem ódio e sem medo.
Desde o segundo mandato da governadora Wilma de Faria, o Estado convive com bombas fiscais — atrasos na folha de servidores, dívidas com fornecedores, perda da capacidade de investimento, estagnação. Onde, e quando, o RN se perdeu?
É difícil julgar no tempo, mas com certeza a reeleição foi a causa principal. A pessoa se elege e, no ano seguinte, já se envolve na eleição municipal. Passa a campanha de prefeito, já está preocupado com a reeleição. Ou seja, os interesses políticos-partidários se sobrepõem às necessidades da população de um Estado. Precisamos acabar com a reeleição. O Legislativo errou quando aprovou lá atrás. O Estado precisa recuperar sua capacidade administrativa.
Por ter ocupado a presidência da Câmara dos Deputados, pergunto: o deputado Hugo Motta perdeu o controle da Casa legislativa?
Quando eu disputei a presidência da Câmara, mesmo por um Estado com a menor bancada, fiz o impossível para vencer no primeiro turno. Eu sabia, por experiência, que no segundo turno você fica dependente das pressões devidas e indevidas. Pois bem: o jovem presidente Hugo Mota, 36 anos, teve quase a unanimidade. Natural? Não! Ele prometeu tudo a todos, num ambiente polarizado. Os problemas que ele enfrenta hoje se devem, basicamente, às promessas não cumpridas. Prometer anistia ampla, geral e irrestrita foi um dos grandes erros. A saída natural é muito diálogo, porque a Câmara é a Casa do povo brasileiro.
Fala, Indústria!
Roberto Serquiz, presidente da Fiern, disse que o próximo governador deve dar prioridade ao ajuste fiscal. Sem ele, há o risco de o Estado voltar a atrasar salários. “Isso ninguém quer”, alertou, no podcast da Casa.
Pingo da Mei Dia
A primeira-dama de Mossoró, Cinthia Pinheiro (União), anunciou a pré-candidatura a deputada estadual. O comunicado foi feito por meio de um vídeo postado nas redes sociais.