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Vagner Araujo

Guerra sem fim: mais um capítulo de tensão no Oriente Médio

Confira o artigo de Vagner Araujo desta terça-feira 3
Vagner Araujo
03/03/2026 | 05:29

O mundo voltou a acompanhar, com apreensão, mais um capítulo de tensão no Oriente Médio. Ataques e retaliações reacendem um cenário que parece nunca se encerrar. O Itamaraty, inclusive, desaconselhou viagens a 11 países da região, sinal de que o risco extrapola fronteiras imediatas. A escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã atinge outros países e amplia o temor de um conflito de proporções imprevisíveis.

Essa atmosfera me remete junho do ano passado, quando estive em Israel integrando missão oficial voltada ao intercâmbio de tecnologias para cidades inteligentes. O que deveria ser uma agenda técnica transformou-se em dias de confinamento em bunker. As sirenes cortavam a madrugada. No subsolo, escutávamos — e sentíamos — o impacto dos mísseis iranianos lançados em retaliação a bombardeios israelenses. O chão tremia. A tensão era física, concreta, impossível de se afastar.

Foto: Reprodução/G1
Guerra sem fim: mais um capítulo de tensão no Oriente Médio - Foto: Reprodução/G1

A cada alerta, famílias inteiras corriam para abrigos. Crianças, ainda sonolentas, eram conduzidas às pressas por pais que tentavam demonstrar serenidade enquanto o medo transparecia nos olhos. A guerra, quando vista de dentro, deixa de ser manchete e se torna experiência sensorial: o som metálico das portas blindadas, o silêncio pesado entre uma explosão e outra, o pavor por não saber o que virá na sequência.

Agora, é espantoso vermos como a instabilidade regional ultrapassa o território israelense. Ver imagens de hotéis luxuosos em Dubai – símbolo de prosperidade e modernidade – sendo atingidos, assim como ocorre no Bahrein, desmonta a ideia de que desenvolvimento econômico é blindagem contra a guerra. Nem mesmo cidades reluzentes, com sua arquitetura futurista e aparente tranquilidade, estão imunes quando a lógica do confronto se impõe.

É paradoxal que, em plena era da inteligência artificial, da exploração espacial e da hiperconectividade, conflitos internacionais ainda sejam tratados de forma brutal, com bombas, destruição e morte — inclusive de civis inocentes. A tecnologia que poderia aproximar povos é convertida em instrumento de ataque.

A guerra revela o fracasso civilizatório, da diplomacia e da empatia. Cada míssil lançado carrega não apenas explosivos, mas a interrupção de sonhos, o trauma de gerações e o aprofundamento de cicatrizes históricas.

Até quando o mundo aceitará essa normalização da barbárie? Quantos ciclos de retaliação ainda serão necessários para que se compreenda que não há vitória possível sobre ruínas humanas? A guerra, em qualquer latitude, é sempre derrota. E enquanto insistirmos nesse roteiro, a paz continuará sendo apenas uma pausa frágil entre duas explosões. E, mo meu caso, um contraste com a lembrança revivida a cada nova escalada de conflitos.