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Thiago Medeiros

Entre o morango do amor e o amargo da política

Confira a coluna de Thiago Medeiros deste sábado
Thiago Medeiros
26/07/2025 | 04:05

No Brasil, a política muitas vezes parece um espetáculo em que o “morango do amor” — essa narrativa doce e da moda — encobre a realidade amarga das disputas de poder, da real política. Entre Lula e Bolsonaro, duas figuras emblemáticas que dividem o País, vemos uma polarização que dificulta o diálogo e a construção de soluções efetivas para os desafios nacionais. Enquanto isso, o “mundo real” não espera e impõe pressões externas, como a taxação promovida por Donald Trump, que afeta diretamente a economia brasileira, e que foi “ativada” pelo bolsonarismo na tentativa de livrar seu líder de uma iminente prisão.

Lula, com sua longa trajetória política e forte base popular e social, representa para muitos a esperança de um Brasil mais inclusivo e socialmente justo. Seus governos I e II foram marcados por avanços significativos no combate à pobreza e na ampliação dos direitos sociais. Contudo, também carrega críticas ligadas a escândalos de corrupção e má gestão, que abalaram a confiança de parcela expressiva da população.

Morango do Amor (30)
Foto: José Aldenir

Já Bolsonaro surge como um contraponto, um outsider que seduziu eleitores cansados da velha política e desejosos por ordem e “moralidade”. Sua retórica forte e posições conservadoras ganharam amplo espaço, mas seu governo também foi marcado por crises políticas, polarização intensa e questionamentos sobre a condução da pandemia e do meio ambiente. Por isso, perdeu força frente ao lulismo e amargou a primeira derrota numa reeleição da Nova República.

Nesse cenário, o Brasil ainda enfrenta desafios econômicos agravados por fatores externos. A decisão de Trump de impor tarifas elevadas sobre produtos brasileiros — parte de sua política protecionista para privilegiar a indústria americana — impactou a balança comercial do País, especialmente setores agrícolas e industriais. Essa “taxação” também tem sido vista como uma chantagem de Donald Trump para o STF brasileiro que afrouxa decisões contra Bolsonaro, o que não tem sido visto com bons olhos pela opinião pública e por vários setores da economia inclusive o argo. Ainda mais amargo dessa decisão, além do rombo econômico e emprego, é o doce da bandeira do Patriotismo que Bolsonaro antes impunha – essa narrativa caiu por terra.

O “morango do amor” seria, nesse contexto, a promessa de que com uma boa dose de paixão política e retórica inflamável poderemos resolver os problemas complexos do Brasil. Mas a realidade amarga mostra que o país precisa muito mais que isso: precisa de diálogo, pragmatismo e união em torno de soluções que preservem empregos, fortaleçam a economia e promovam justiça social.Deixar de lado a polarização entre Lula e Bolsonaro, olhar para além das paixões partidária. É hora de trocar o doce da ilusão pelo amargo da responsabilidade — e fazer a política funcionar para o povo.