A existência de oposição na política é um pilar da democracia. Sem adversários capazes de controlar, fiscalizar e desafiar o exercício do poder, o risco de autoritarismo, de decisões descuidadas ou sem debate real cresce. A oposição — em âmbito municipal, estadual e federal — tem função legítima e necessária: aperfeiçoar políticas públicas, apresentar alternativas, questionar projetos e propor melhorias.
Contudo, essa missão exige responsabilidade republicana. Não basta existir só para “ser contra”. Quando o adversário decide obstruir deliberadamente o andamento de leis ou serviços que beneficiam a população, apenas em nome de disputa política ou ideológica, o resultado é o enfraquecimento da própria democracia e o prejuízo direto ao cidadão.

No município de Natal, tivemos recentemente como exemplo o processo de atualização do Plano Diretor. A lei que existia estava em vigor havia 15 anos, totalmente desconectada com a Natal de hoje.
O que se espera em um processo desses é que a oposição compareça, proponha melhorias, questione cláusulas específicas, mas que não impeça a votação ou atrase deliberadamente a lei sob a justificativa única de só estar sendo contra a gestão. A cidade não pode ficar à espera por motivos partidários.
No âmbito estadual, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deputados de oposição travaram recentemente a votação de um projeto que abria caminho para o Estado receber mais recursos para a educação em tempo integral. Os deputados estaduais da oposição exigiam, sem cerimônia, a liberação de emendas parlamentares.
Ainda que reivindicações orçamentárias ou de transparência sejam legítimas, inviabilizar uma proposta que beneficia estudantes porque o governo “ainda não cumpriu com sua parte” é deliberadamente converter a oposição em obstáculo — e não em agente de melhoria.
Além desses exemplos, vale registrar a história que é comum nos bastidores da política independentemente de quem está no governo: em Brasília, tem sempre político buscando atrapalhar a vida de gestões aqui no Estado.
No plano federal, a vergonhosa obstrução realizada no Congresso, no início de agosto, por bolsonaristas também merece registro. Atrapalharam o funcionamento de um Poder em nome da defesa de anistia para quem atacou as instituições, entre elas o próprio Congresso.
Quando a oposição incorre em atitudes como essas, ela não está apenas questionando o governo — está fragilizando o processo democrático, atrasando serviços que deveriam chegar à população, e colocando o antagonismo acima do interesse público. Interesses pessoais não deveriam prevalecer sobre o interesse público.
O eleitor deve, sim, premiar a oposição que cumpre sua função democrática de modo construtivo — projetando alternativas, oferecendo críticas qualificadas, participando do debate — mas também deve penalizar a oposição que adota a intransigência como estratégia, provocando, por ânimo puramente político, a paralisação de serviços, a obstrução de leis e o atraso da vida pública.
Em suma: oposição sim, obstrucionismo não. A democracia exige contrapesos — mas não exige impedimento sistemático da ação pública. O papel da oposição não é simplesmente “ser contra”, mas contribuir para que a cidade, o Estado e o País funcionem melhor para todos. E a cidadania só tem a ganhar quando esse papel é exercido com senso coletivo, e não com espírito de disputa estreita.