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Informe do Correio

Empresário não pode ser tratado como inimigo

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta sexta-feira 31
Por O Correio de Hoje
31/07/2026 | 18:14

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), Sérgio Azevedo, defendeu a construção de um pacto estadual para melhorar o ambiente de negócios, reduzir a insegurança jurídica e deixar de tratar o empresário como adversário.

Em entrevista ao programa Economia e Negócios, da TV Agora RN, ele afirmou que o Estado precisa reunir governo, Assembleia Legislativa, setor produtivo e demais instituições em torno de uma agenda comum de desenvolvimento.

Informe do Correio

Para Azevedo, a dificuldade de investir no Rio Grande do Norte não decorre apenas dos juros altos, da inflação ou da elevação dos custos da construção. O problema, segundo ele, também está nas regras excessivamente restritivas, nos processos demorados e na falta de previsibilidade para quem pretende instalar novos empreendimentos.

O empresário classificou a construção civil como um termômetro da economia. Quando o setor cresce, amplia a geração de empregos, movimenta o comércio, fortalece a indústria e aumenta a arrecadação pública. Quando sofre, o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva.

Ele citou o aumento do diesel, do frete, dos materiais e da mão de obra, além das dificuldades impostas pelos juros elevados para a compra de máquinas e equipamentos.

Vocações econômicas

Azevedo afirmou que o Rio Grande do Norte possui vocações econômicas claras, como turismo, energias renováveis, carcinicultura, sal e fruticultura irrigada.

Todos esses segmentos, ressaltou, dependem direta ou indiretamente da construção civil. Hotéis, estradas, restaurantes, parques eólicos, empreendimentos solares e equipamentos de infraestrutura precisam ser construídos antes de começar a gerar renda e emprego.

Na avaliação dele, entretanto, o Estado perde oportunidades para unidades da Federação vizinhas porque oferece um ambiente mais hostil ao investidor.

Como exemplo, citou a regulamentação para data centers. Segundo Azevedo, o Rio Grande do Norte produz muito mais energia do que consome e deveria tratar a atração desses empreendimentos como uma missão de Estado.

Ainda assim, exigências locais mais complexas fariam com que investidores eliminassem o território potiguar logo nas primeiras análises.

Relação entre iniciativa privada e poder público

O presidente do Sinduscon também criticou o que chamou de tentativa de criminalizar a iniciativa privada e o lucro.

Para ele, esse tipo de postura pode atingir empresas, mas prejudica principalmente a coletividade, já que são os empreendedores que geram empregos, movimentam a economia e recolhem os tributos usados para financiar os serviços públicos.

A proposta de pacto defendida por Sérgio Azevedo passa pela identificação objetiva dos gargalos e pela construção conjunta de soluções.

Ele afirmou que não adianta apenas um empresário, o Poder Executivo ou a Assembleia agir de forma isolada. O Estado precisa “pensar grande”, estabelecer regras claras, garantir prazos e oferecer segurança para quem deseja investir.

Prioridades do setor

Entre as prioridades apresentadas pelo setor estão a manutenção do programa RN Mais Moradia e a revisão do Código Ambiental em discussão na Assembleia Legislativa.

Azevedo alertou que, se a legislação for aprovada sem mudanças, poderá afastar investimentos e prolongar o atraso econômico.

Para ele, o Rio Grande do Norte precisa escolher entre uma década de prosperidade ou mais uma década de oportunidades perdidas.