O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), Sérgio Azevedo, defendeu a construção de um pacto estadual para melhorar o ambiente de negócios, reduzir a insegurança jurídica e deixar de tratar o empresário como adversário.
Em entrevista ao programa Economia e Negócios, da TV Agora RN, ele afirmou que o Estado precisa reunir governo, Assembleia Legislativa, setor produtivo e demais instituições em torno de uma agenda comum de desenvolvimento.

Para Azevedo, a dificuldade de investir no Rio Grande do Norte não decorre apenas dos juros altos, da inflação ou da elevação dos custos da construção. O problema, segundo ele, também está nas regras excessivamente restritivas, nos processos demorados e na falta de previsibilidade para quem pretende instalar novos empreendimentos.
O empresário classificou a construção civil como um termômetro da economia. Quando o setor cresce, amplia a geração de empregos, movimenta o comércio, fortalece a indústria e aumenta a arrecadação pública. Quando sofre, o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva.
Ele citou o aumento do diesel, do frete, dos materiais e da mão de obra, além das dificuldades impostas pelos juros elevados para a compra de máquinas e equipamentos.
Vocações econômicas
Azevedo afirmou que o Rio Grande do Norte possui vocações econômicas claras, como turismo, energias renováveis, carcinicultura, sal e fruticultura irrigada.
Todos esses segmentos, ressaltou, dependem direta ou indiretamente da construção civil. Hotéis, estradas, restaurantes, parques eólicos, empreendimentos solares e equipamentos de infraestrutura precisam ser construídos antes de começar a gerar renda e emprego.
Na avaliação dele, entretanto, o Estado perde oportunidades para unidades da Federação vizinhas porque oferece um ambiente mais hostil ao investidor.
Como exemplo, citou a regulamentação para data centers. Segundo Azevedo, o Rio Grande do Norte produz muito mais energia do que consome e deveria tratar a atração desses empreendimentos como uma missão de Estado.
Ainda assim, exigências locais mais complexas fariam com que investidores eliminassem o território potiguar logo nas primeiras análises.
Relação entre iniciativa privada e poder público
O presidente do Sinduscon também criticou o que chamou de tentativa de criminalizar a iniciativa privada e o lucro.
Para ele, esse tipo de postura pode atingir empresas, mas prejudica principalmente a coletividade, já que são os empreendedores que geram empregos, movimentam a economia e recolhem os tributos usados para financiar os serviços públicos.
A proposta de pacto defendida por Sérgio Azevedo passa pela identificação objetiva dos gargalos e pela construção conjunta de soluções.
Ele afirmou que não adianta apenas um empresário, o Poder Executivo ou a Assembleia agir de forma isolada. O Estado precisa “pensar grande”, estabelecer regras claras, garantir prazos e oferecer segurança para quem deseja investir.
Prioridades do setor
Entre as prioridades apresentadas pelo setor estão a manutenção do programa RN Mais Moradia e a revisão do Código Ambiental em discussão na Assembleia Legislativa.
Azevedo alertou que, se a legislação for aprovada sem mudanças, poderá afastar investimentos e prolongar o atraso econômico.
Para ele, o Rio Grande do Norte precisa escolher entre uma década de prosperidade ou mais uma década de oportunidades perdidas.