Enquanto Allyson Bezerra e Álvaro Dias ocupam o centro do debate político e jurídico no Rio Grande do Norte, Cadu Xavier adota uma estratégia de cautela. O candidato do PT prefere assistir ao confronto, medir a reação do eleitorado e evitar uma entrada precipitada numa disputa que, até agora, tem produzido mais desgaste para o grupo de Álvaro e maior repercussão para Allyson.
A escolha tem lógica. Cadu pode se apresentar como alternativa à guerra de acusações e manter uma agenda voltada a propostas, reuniões e articulações. Nos últimos dias, participou da recepção aos novos auditores fiscais do Estado, recebeu apoio do prefeito de Canguaretama, Leandro Varela, e foi escolhido como primeiro candidato a receber da Fetronor um documento com diagnósticos e propostas para o transporte intermunicipal e metropolitano.

O problema é que campanha também se faz com presença. Ao deixar Allyson e Álvaro monopolizarem as redes sociais, os programas políticos e a cobertura da imprensa, Cadu corre o risco de desaparecer do debate antes mesmo do início oficial da propaganda eleitoral. O silêncio pode parecer prudência durante alguns dias, mas, prolongado, transforma-se em invisibilidade.
A candidatura petista ainda aposta na entrada mais intensa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na transferência do voto lulista. Essa força deverá crescer durante a campanha, mas não elimina a necessidade de Cadu construir personalidade, discurso e protagonismo próprios.
Observar a briga pode ser inteligente. Assistir de longe por tempo demais, porém, pode deixá-lo fora dela.