Com desempenho abaixo do esperado nas pesquisas divulgadas até agora, Cadu Xavier tenta construir uma identidade eleitoral própria sem romper com a governadora Fátima Bezerra. O candidato do PT afirma que Fátima é sua líder e inspiração política, mas sustenta que tem trajetória diferente e que, se eleito, pretende conduzir uma gestão com outras prioridades, concentrada em infraestrutura, desenvolvimento, saúde e melhoria dos serviços públicos.
A dificuldade é que Cadu não foi apenas um aliado do governo. Durante cerca de sete anos, ocupou posições centrais na administração estadual, primeiro como secretário de Tributação e depois como secretário da Fazenda. Ele comandou a arrecadação, participou das decisões fiscais e foi um dos principais porta-vozes da gestão. Por isso, adversários já trabalham para apresentá-lo como corresponsável pelos resultados do segundo mandato de Fátima.

O problema ganha dimensão eleitoral diante da desaprovação da governadora. Pesquisas recentes apontam 59,56% de desaprovação ao governo estadual e 31,9% de aprovação. Nesses levantamentos, Cadu aparece com 10,31%, atrás de Allyson Bezerra, com 32,93%, e Álvaro Dias, com 20,38%. Lula, por sua vez, registrou 61,74% de aprovação no Rio Grande do Norte, oferecendo ao petista um ativo político relevante, mas de transferência ainda incerta neste início de campanha.
Assim, o desafio para Cadu é que ele precisa ser o candidato de Lula sem deixar de ser o candidato de Fátima. Precisa reivindicar a experiência acumulada no governo e, simultaneamente, convencer o eleitor de que fará diferente. Explicar essa combinação já seria uma tarefa complexa. Dissociar-se politicamente de uma administração da qual participou diretamente representa um dos principais obstáculos da campanha.
Se sua competitividade depender do sucesso dessa narrativa, o tempo eleitoral pode se tornar um fator decisivo. Para reduzir o peso do vínculo com a atual gestão e ampliar seu espaço na disputa, Cadu precisará apresentar uma mensagem capaz de conciliar continuidade e mudança aos olhos do eleitor.