Ao encerrar 2025 na 64ª colocação entre 83 países no ranking internacional que avalia o avanço da atividade industrial, o Brasil registrou desempenho inferior ao observado nos últimos anos, ficando distante das economias que lideram o crescimento do setor. O levantamento, elaborado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial com base em dados de uma agência das Nações Unidas voltada à promoção do desenvolvimento industrial, aponta que essa foi a pior posição desde 2022, quando o país ocupou o 71º lugar. O resultado reflete um padrão recorrente. Como a expansão da indústria nacional ocorre abaixo da média mundial, o país permanece de forma quase permanente na metade inferior da lista.
Representantes do setor produtivo atribuem a queda recente, em parte, ao nível elevado das taxas de juros. O argumento considera que o custo do crédito restringe o consumo e dificulta o financiamento das operações empresariais, sobretudo no capital de giro. Esse fator, contudo, não esgota o problema. Há um conjunto de entraves estruturais que se prolonga há décadas e limita a competitividade da indústria brasileira. Nos países mais desenvolvidos, a manufatura está concentrada em segmentos de alta tecnologia, nos quais se concentram investimentos relevantes em automação, digitalização e sustentabilidade. No Brasil, esses ramos mais dinâmicos representam menos de um terço da produção industrial, enquanto nas economias avançadas se aproximam de 50%.

O histórico nacional mostra baixa intensidade de investimentos em inovação e reduzida incorporação de tecnologias desenvolvidas no exterior. Ao longo do tempo, consolidou-se a prática de manter tarifas de importação elevadas como mecanismo de proteção a um parque industrial pouco atualizado. Embora essa estratégia tenha atraído empresas estrangeiras interessadas no mercado interno, também dificultou a integração do país às cadeias globais de suprimentos, restringindo ganhos de escala e eficiência.
Relatório recente do Banco Mundial indica que os 25 países mais pobres são justamente aqueles que aplicam as tarifas mais altas, com níveis que chegam ao dobro dos verificados em economias de alta renda. Em países de renda média-alta, a presença de subsídios generalizados tende a elevar custos para outros segmentos produtivos e a perpetuar distorções. No caso brasileiro, esse quadro foi agravado por décadas pela manutenção de um sistema tributário complexo. Decisões de investimento frequentemente priorizavam benefícios fiscais em detrimento da eficiência produtiva.
Nos próximos anos, mudanças em curso podem alterar parcialmente esse cenário. A implementação da reforma tributária tem potencial para reduzir distorções e simplificar o ambiente de negócios. Ao mesmo tempo, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar a exposição da indústria nacional à concorrência externa, criando incentivos para ganho de produtividade.
Ainda assim, o avanço dependerá de maior abertura econômica e de um ambiente competitivo mais intenso. A baixa concorrência favorece a permanência de empresas menos eficientes e restringe o crescimento das mais produtivas. Medidas de responsabilidade fiscal que contribuam para a redução dos juros também são apontadas como essenciais. Sem mudanças nesse conjunto de fatores, o país tende a continuar ocupando posições inferiores no ranking global da indústria.