A deputada federal Carla Dickson protagonizou uma cena de autoimolação — isto é, ateou fogo ao próprio corpo ainda antes do início da campanha eleitoral.
Ao declarar que não vota em Styvenson Valentim e ao acusar o prefeito de Natal, Paulinho Freire, de colocar a máquina pública a serviço de Nina Souza, Dickson provocou um terremoto no campo da direita, expondo divergências no Partido Liberal, que a acolheu para disputar as eleições deste ano.

Primeiro, Carla Dickson mandou um recado para Styvenson:
— Não consigo conversar com ele ainda. Já tentei três vezes e não consigo marcar agenda, então não dá para votar em uma pessoa com quem você não consegue conversar — disse à rádio 95 FM Mossoró.
Em outra emissora, a parlamentar afirmou que a gestão de Paulinho Freire está “moendo com força” para eleger Nina Souza à Câmara dos Deputados.
— Tem a máquina de Natal com Nina, que já está moendo com força, e pessoas sendo abordadas: “é para votar em Nina, tá?” — disparou Dickson à Rádio Difusora.
O que move Carla Dickson nesse ato extremo?
O medo. Nas entrevistas que concedeu em Mossoró, a deputada fala em sobrevivência numa nominata que já conta, além de Nina, com General Girão e Sargento Gonçalves.
Carla Dickson se deu mal ao se deparar com uma adversária “valente”. Nina, esposa do prefeito de Natal, reagiu e classificou as acusações da colega de partido como “levianas e irresponsáveis”.
— Eu desafio a deputada Carla Dickson, eu desafio. Mostre uma pessoa que a vereadora Nina ou o prefeito Paulinho tenham coagido a votar em mim — rebateu a pré-candidata.
Diante da reação firme da vereadora, Carla Dickson arregou e pediu “perdão”, classificando suas declarações anteriores como “ato falho”.
— Eu falhei, eu errei — disse Dickson, levantando a bandeira branca.
Sei não. Acho muito difícil Nina engolir tudo o que Carla Dickson já ouvia quando ainda estava filiada ao União Brasil: que a pré-campanha de Nina Souza passa como um trator pelos municípios, arrasando redutos de velhas lideranças políticas que, como Carla, buscam a reeleição.
— Quero que ela seja a mais votada do PL — disse Carla, ao se colocar como “esteira de luxo” para Nina Souza — sua sina desde o União Brasil.
Time de Lula
Cadu Xavier anda furando a bolha de Walter Alves no MDB. Pelo menos duas lideranças da sigla no Alto Oeste já sinalizam apoio ao petista: o prefeito de Patu, Ednardo Moura, e a prefeita de Almino Afonso, Jéssica Amorim — ambos sob as bênçãos do deputado estadual Doutor Bernardo.
Alguém de fora
Raimundo Alves, lugar-tenente da governadora Fátima Bezerra na articulação política, traçou o perfil ideal para a vice de Cadu Xavier na disputa pelo Governo do Estado:
— O nome ideal seria o de um ex-prefeito ou ex-prefeita, com capilaridade política no Rio Grande do Norte e que não seja do PT — disse Raimundo, ressaltando tratar-se de uma opinião pessoal.
Made in China
A chamada “taxa das blusinhas” preservou cerca de 135 mil empregos no país, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com estudo da entidade, bilhões de reais em produtos importados deixaram de ser comprados, enquanto o imposto reforçou o caixa da União.
Com a popularidade em baixa, Lula avalia revogar a medida.
Brabeza
Nesta fase de pré-campanha eleitoral, Kelps Lima parece ter escolhido Styvenson Valentim como “cristo”. Além de insinuar que o senador potiguar faz apenas o que Davi Alcolumbre manda, Kelps afirmou que o parlamentar “só é brabo quando pega o avião de Brasília para o Rio Grande do Norte”. O ex-deputado também disse que o senador costuma ser agressivo apenas com mulheres. Danou-se.