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Coluna

A diferença entre o voto para prefeito e o voto para vereador

Confira a coluna de Vagner Araujo desta quarta 27
Vagner Araujo
27/03/2024 | 07:56

Quando nos aproximamos das eleições municipais, um fenômeno curioso tende a se manifestar nos bastidores do cenário político: a predominância da ‘cartolagem’ partidária. Acordos de bastidores e negociações partidárias muitas vezes sobrepõem-se à voz e à preferência popular. Nesse contexto, é essencial uma reflexão profunda dos pretensos candidatos a prefeito sobre a natureza do voto e a importância da genuína conexão com o eleitorado.
Diferentemente dos cargos legislativos — vereadores e deputados — onde o voto pode ser influenciado por uma gama de fatores menos racionais, a escolha de cargos executivos — prefeitos, governadores e presidentes — é marcada por uma deliberação mais profunda e criteriosa por parte do eleitor. O voto para o executivo é a expressão direta da vontade do cidadão, é “o voto do eleitor”, imbuído de pessoalidade e reflexão. Este é um voto que o eleitor reluta em negociar ou relativizar.
Há um contraste marcante entre o voto para representantes legislativos e cargos executivos. Enquanto o primeiro pode ser motivado por simpatias pessoais, influências de lideranças locais ou até mesmo afinidades estéticas, o segundo demanda uma análise rigorosa de capacidades, honestidade, experiência e, principalmente, confiança — uma qualidade construída sobre a coerência, a verdade no que fala e a capacidade de cumprir o que diz e só propor o que pode ser cumprido.
A política do Rio Grande do Norte comprova essa dinâmica. Existem basicamente dois tipos de políticos: aqueles que se aproximam diretamente do povo e aqueles que se limitam ao círculo das lideranças. A longo prazo, percebe-se que políticos que dependem exclusivamente do apoio de lideranças, sem estabelecer uma conexão real com o povo, ganham eleições no legislativo, mas nunca saem vitoriosos no executivo. Por outro lado, políticos que possuem uma ‘química’ natural com o povo tendem a ser eleitos para cargos executivos, muitas vezes sem contar com apoio das lideranças tradicionais.
Esse fenômeno evidencia uma verdade fundamental no contexto das eleições municipais: o candidato que aspira a vitória precisa chegar no povo. Não basta confiar em manobras de bastidores ou na influência de lideranças. O sucesso eleitoral para cargos do executivo requer uma comunicação efetiva com elementos simbólicos que toquem os corações e as mentes dos eleitores, uma conexão que transcenda as tradicionais barreiras políticas e sociais.
Portanto, à medida que nos aproximamos das próximas eleições municipais, é fundamental que os candidatos reflitam sobre essas verdades. A política, em sua essência, deve ser um diálogo contínuo com o povo, não uma série de transações obscuras limitadas a fotos perfiladas nos corredores do poder. Para aqueles que buscam servir nas prefeituras, o caminho para o sucesso não está nas negociações de cúpula, mas na capacidade de ouvir, entender e, finalmente, ganhar a confiança do eleitorado. É aí que reside o verdadeiro poder de uma eleição: na voz do povo.

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Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil