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Covid-19
Pesquisa mostra que o Ceará é o único estado com taxa de contágio de coronavírus abaixo de 1
Estudo da PUC-Rio indica que cada infectado no estado transmite a Covid-19 para menos de uma pessoa
G1
29/05/2020 | 07:50

Cientistas de dados, engenheiros e economistas do grupo Covid-19 Analytics apontam em estudo que o Ceará é o único estado do Brasil com taxa de contágio abaixo de 1 (0,92). Na prática, o resultado revela que, em média, cada contaminado pelo novo coronavírus transmite o vírus para menos de uma pessoa.

Segundo a última atualização da plataforma IntegraSUS, às 18h04 dessa quinta-feira (28), o Ceará confirma 37.821 casos, 24.979 recuperações e 2.733 óbitos. Fortaleza, epicentro local da pandemia, tem 21.328 infectados, 13.950 recuperados e 1.804 óbitos. A taxa de letalidade da doença está em 7,2%.

Para chegar ao percentual da “taxa de contágio” do Ceará, que indica o número efetivo de reprodução (R) da Covid-19, o cálculo reúne variáveis como a quantidade de pacientes recuperados, o crescimento de diagnósticos por dia e o de casos ainda ativos através dos boletins epidemiológicos das secretarias estaduais de saúde.

A pesquisa da PUC-Rio apresenta as taxas de contaminação entre os dias 15 de abril, quando um contaminado passava a doença para outras 2,75; e 26 de maio, data em que o nível atingiu o “ideal” – isto é, abaixo de 1. A taxa foi alcançada ainda em 25 de maio, com 0,99. No Brasil, consideradas todas as pastas de saúde, a taxa era de 1,89 em 26 de maio último.

Segundo o pesquisador de pós-doutorado da Universidade da Califórnia, Gabriel Vasconcelos, que integra o Covid-19 Analytics, o cálculo para obter o resultado leva em conta ainda o tempo de recuperação de cada paciente.

“A taxa está ligada diretamente a quantas pessoas cada doente infecta. O que a faz subir ou descer é a velocidade com que as pessoas se recuperam. Conforme os tratamentos forem avançando, o número desce; se os pacientes ficam doentes por mais tempo, podem infectar mais gente, e a taxa sobe”, pontua.

Os dados apurados mostram também que o pico de transmissão da Covid-19 no Ceará ocorreu quando a taxa de contágio chegou a 3,01 em 22 de abril. Isso significa que um infectado contaminava outras três pessoas.

Ainda de acordo com Gabriel Vasconcelos, “o Ceará tem apresentado uma queda do número de reprodução de forma consistente”, sem oscilações, como o Rio de Janeiro, por exemplo. Aqui, desde 4 de maio, o contágio só cai, conforme a pesquisa.

“O estado está mostrando uma tendência estável, é uma coisa boa, aumenta nossa confiança. Mas como o Ceará passou pro patamar menor do que 1 agora, no dia 26, é preciso muita cautela, esperar se vai se consolidar assim. Não estamos dizendo que o número não pode voltar a subir”, alerta o pesquisador.

Diferentemente de Fortaleza, porém, as taxas de contágio tendem a ser maiores em cidades do interior onde a doença chegou depois.

Prudência

O pesquisador complementa que, por outro lado, é fundamental que haja prudência no retorno ao convívio social.

“O número acabou de ficar abaixo de 1, então é preciso ficar de olho. A taxa pode voltar a crescer. Se a ‘volta gradativa’ for realmente gradativa, é uma coisa boa. Se a taxa voltar a subir, tem que voltar a fechar”.

Embora o modelo matemático utilizado pela PUC-Rio seja diferente do usado pela Prefeitura de Fortaleza, o gerente municipal da Vigilância Epidemiológica, Antônio Lima, reconhece que há estabilização com início de queda da média de casos por dia na capital. Ele considera que o número de óbitos por semana estão num patamar “bastante elevado”, mas “estabilizados desde o dia 10 de maio”, menciona.

Antônio Lima explica que a redução na procura de pacientes por unidades de saúde também é analisada para perceber a desaceleração do coronavírus. “Quando falo de dados epidemiológicos, falo de uma semana atrás, existe uma defasagem nas taxas. Mas quando vejo a redução da demanda assistencial em postos de saúde e UPAs, com menos atendimentos de quadros graves de síndromes gripais, isso reflete o dia”.

Para o epidemiologista, o isolamento social rígido, em vigor desde o dia 8 de maio em Fortaleza, pode ter favorecido o atual cenário. “Modelos desenvolvidos pós-lockdown já mostravam que final de maio e início de junho seriam de maior estabilidade. Sem isolamento rígido, o pico se estenderia até julho. Não funcionou às mil maravilhas, não é um lockdown europeu, numa comunidade carente é muito mais complexo, mas o isolamento que girou em torno de 60% em alguns dias é satisfatório”, frisa Antônio Lima.

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