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Diversidade

Homem trans dá à luz primeiro bebê na rede pública estadual na PB

Iara é filha de Daniel Valentim e Gisele Castro, casal trans que buscou atendimento especializado durante a gestação
30/06/2026 | 13:29

O nascimento da pequena Iara marcou um caso inédito na rede estadual de saúde da Paraíba. A bebê é a primeira criança gerada por um homem trans no sistema público de saúde do estado. Filha de Daniel Valentim e de Gisele Castro, uma mulher trans, ela nasceu após uma gravidez planejada e acompanhada por equipes especializadas. As informações são do g1.

No Dia do Orgulho LGBT, celebrado neste domingo 28, Gisele falou sobre a chegada da filha e sobre a trajetória percorrida pelo casal durante a gestação.

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Gisele e Daniel na hora do parto — Foto: Divulgação/Governo da Paraíba

“A gente quer falar para a sociedade que família tem a ver com amor, respeito e união. Então, se você tem aí esses três ingredientes, você tem uma família”, afirmou.

Moradores de Esperança, no Agreste paraibano, Daniel e Gisele iniciaram o pré-natal em Campina Grande. Ainda no primeiro mês de gestação, Daniel foi diagnosticado com trombose, condição que levou a gravidez a ser classificada como de alto risco. O casal também recebia acompanhamento do ambulatório voltado ao atendimento de pessoas trans vinculado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.

Apesar do acompanhamento, Daniel relatou insegurança quanto ao parto. Segundo ele, o fato de ser o primeiro homem trans gestante atendido na unidade gerava receio em relação ao acolhimento.

“Apesar de ter tido um pré-natal muito tranquilo em outra unidade, eu sentia que o lugar ideal para o nascimento de Iara era o Hospital da Mulher, não apenas pela estrutura. O carinho dos profissionais, o acolhimento, a segurança com a qual todo o procedimento foi conduzido apenas confirmaram esse sentimento. Foi um parto cercado de amor e respeito, um momento que jamais vamos esquecer”, disse.

A busca por um ambiente considerado mais seguro levou o casal ao Hospital da Mulher, em João Pessoa. Eles descobriram que a unidade já realizava procedimentos destinados a homens trans encaminhados pelo Espaço LGBT Clementino Fraga, o que indicava experiência no atendimento dessa população.

Com o apoio do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais Fernanda Benvenutty, o casal conseguiu transferir o acompanhamento para a capital paraibana no oitavo mês de gestação. Após avaliação médica, Daniel foi considerado apto para concluir a gestação na unidade.

Segundo Gisele, a expectativa foi confirmada durante o atendimento.

Interrupção hormonal e disforia

Daniel e Gisele estão juntos há cerca de quatro anos e começaram a tentar engravidar em 2023. De acordo com Gisele, para uma gestação ocorrer em um casal trans, ambos precisaram interromper a terapia hormonal, o que trouxe dificuldades relacionadas à disforia de gênero.

“No meu caso, uma mulher trans toma um hormônio feminilizante. E, no caso dele, homem trans, toma um hormônio masculinizante. Aí é muito ruim, por um certo lado, porque, quando a gente tem, quando a gente quer engravidar, a gente tem que parar com esses hormônios. E aí as características masculinas e femininas, elas voltam nos nossos corpos, o que traz algo chamado de disforia, que é um desconforto”, relatou.

Após uma primeira tentativa sem sucesso, o casal voltou a tentar engravidar no fim de 2025. A gestação foi confirmada meses depois e, em junho de 2026, Iara nasceu.

Segundo Gisele, a família recebeu a notícia com acolhimento.

“Nossa família ficou muito feliz. Então, a gente teve um acolhimento de grande parte da família. O que nos deixa bastante contentes também. A minha sogra, a mãe de Daniel, foi a primeira pessoa a visitar; a minha mãe também acolheu muito bem”, afirmou.

Para Daniel e Gisele, o nascimento de Iara representa a realização de um projeto familiar construído a partir do afeto e do respeito mútuo.