O Rio Grande do Norte vive um momento fiscal de contrastes. De um lado, há avanços inegáveis na transparência das contas públicas; de outro, um quadro estrutural grave, com endividamento elevado, déficit previdenciário e comprometimento histórico da folha de pagamento. Números apresentados nesta segunda-feira pelo secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), revelam com precisão cirúrgica o tamanho do desafio que o Estado tem pela frente.
A dívida total do RN ultrapassa R$ 6,3 bilhões, um crescimento de R$ 1,8 bilhão desde 2019. À primeira vista, o dado assusta. Mas, ao detalhar a composição desse montante, surge um diagnóstico mais complexo: quase 80% dessa dívida — cerca de R$ 4,9 bilhões — são precatórios, isto é, valores devidos pelo Estado a servidores e cidadãos após décadas de disputas judiciais. Antes do governo Fátima Bezerra, o estoque de precatórios era de apenas R$ 400 milhões. O salto de mais de dez vezes decorre, segundo Xavier, da inclusão dessas dívidas nas demonstrações contábeis, que agora refletem a realidade.

De fato, o RN saiu da última posição no ranking nacional de transparência fiscal para o 4º lugar. Essa mudança não reduz o peso da dívida, mas torna o problema visível — e, portanto, administrável. Saber o tamanho do rombo é o primeiro passo para corrigi-lo.
Ainda assim, a raiz do desequilíbrio está em outro ponto: a folha de pagamento e a previdência. O Estado tem o maior comprometimento de gastos com pessoal do País e está acima do limite prudencial há mais de 20 anos. Soma-se a isso um quadro previdenciário crítico, com mais servidores aposentados e pensionistas do que ativos. O resultado é um sistema caro, que consome quase toda a receita corrente líquida e deixa pouco espaço para investimentos ou melhorias nos serviços públicos.
As consequências são sentidas diretamente pela população: atrasos em obras, limitações na saúde, lentidão administrativa e baixo poder de investimento social.
A saída não será simples, mas é possível. Envolve reforma administrativa e previdenciária, revisão de incentivos fiscais, planejamento de longo prazo e, sobretudo, manutenção da transparência conquistada. Só com dados reais, gestão técnica e coragem política será possível equilibrar as contas sem sacrificar o essencial — o serviço público de qualidade que o povo potiguar merece.
DIPLOMACIA
Em entrevista à 94 FM, o secretário e pré-candidato ao governo Cadu Xavier demonstrou sensibilidade política ao tratar de alianças e nomes para 2026. Elogiou Garibaldi Alves Filho, a quem chamou de “um dos maiores governadores da história do RN”, e destacou Milena Galvão, vice-prefeita de Currais Novos, como “um excelente nome”. Garibaldi é o pai do vice-governador e futuro governador Walter Alves. Já Milena é irmã do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. Dois nomes fortes no poder a partir de abril.
AVANÇO
O presidente do sistema Faern /Senar, José Vieira, anunciou a ampliação do horário do irrigante, agora também disponível das 5h às 13h30, em parceria com a Neoenergia Cosern. A nova faixa, alternativa ao período noturno (21h30 às 6h), oferece mais segurança e produtividade aos agricultores. Segundo Vieira, a medida reduz custos, evita riscos de trabalho na madrugada e fortalece a agricultura irrigada e a fruticultura potiguar.
PERSONALISMO
O senador Styvenson Valentim anunciou a entrega de uma escola em Acari, além de obras em Cruzeta e Jucurutu, investimentos que somam milhões e beneficiam as comunidades. O resultado é positivo e bem-vindo, mas revela um modelo distorcido, em que parlamentares acumulam papel de gestores, “entregando” obras como prefeitos. Um sintoma do desvirtuamento institucional brasileiro, onde quem deveria legislar tornou-se executor de políticas públicas.
DEVOÇÃO
Coube à secretária de Assistência Social de Natal e primeira-dama, Nina Souza, anunciar a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora da Apresentação à Prefeitura. O ato, marcado por fé e emoção, simbolizou o início dos festejos da padroeira da cidade. Nina ressaltou o caráter espiritual do momento, destacando que a santa representa “a alma acolhedora e esperançosa de Natal”.
TRAMPOLIM
Nos bastidores da homenagem ao Dia do Aviador, o deputado estadual Taveira Júnior lembrou aos convidados na Assembleia Legislativa que Natal já foi o “Trampolim da Vitória”, ponto de partida de aviões aliados na Segunda Guerra Mundial. O comentário arrancou acenos dos oficiais da Base Aérea de Parnamirim, que ainda hoje mantém viva a tradição daquele período em que o céu potiguar foi decisivo para o mundo.