Durante o ano de 2023, a pesquisa da Edelman Trust Barometer apontou que o Brasil era o sétimo país mais polarizado entre os 28 pesquisados. Este cenário após eleição de 2022, demonstra um cenário brasileiro entre os “moderadamente polarizados”, mas com “risco de polarização severa”, categoria em que já se encontravam países como Argentina e Estados Unidos, por exemplo.
O mesmo estudo coloca que 78% dos brasileiros acreditavam que o País estava mais fragmentado e dividido ideologicamente do que no passado, ante 53% da média global. Além disso, a falta de civilidade e respeito mútuo era a pior já vista para 80% dos entrevistados no Brasil – no mundo, esse número ficou em 65%.

A polarização é parte da vida política, sua existência é inclusive saudável para democracia, isso claro se você entende polarização como a diferenciação de propostas e de visões em relação à sociedade, com respeito pela diferença, pelo ponto de vista, pela visão de um e de outro. Esse seria um exemplo de uma polarização construtiva, porque a política perderia o sentido se todos fossem iguais, não existiria a disputa pelo poder.
Porém o que temos assistido no Rio Grande do Norte, fruto de uma antecipação exacerbada da campanha de 2026 é uma aposta por parte de alguns atores políticos, de uma polarização cancerígena, ou seja, para que exista meu ponto de vista, o outro precisa deixar de existir. Muitos políticos precisam entender que divergir é salutar, mas destruir pode impactar de modo completamente negativo para o futuro do nosso Estado.
Recentemente um político da oposição reforçou em dizer que seu projeto seria “anti-PT” numa alusão em ser contrário ao que este vem fazendo sendo feito pelo atual governo. Reforço que essa ideia é completamente equivocada. É preciso reconhecer que mesmo em sendo oposição, que um governo tenha pontos satisfatórios de gestão, que precisa avançar a partir de um ponto, e não apenas pensar em destruir.
Gostaria de deixar claro que isso não é polarização, é uma divisão na sociedade e na política entre dois grupos que não compartilham mais as mesmas premissas. E não há terreno comum para certos acordos, dificultando assim uma visão de futuro comum. Por isso dificilmente teríamos uma política de Estado, na visão desses atores.
Se continuarmos nesse ritmo passaremos mais um período eleitoral sem discutir o futuro do nosso Estado. Estaremos sem tornar público as soluções dos problemas do RN, ao invés disso vamos trilhar o caminho da destruição, e não o da discussão. Precisamos sair do discurso do ódio e encarar um Pacto entre a classe política pelo desenvolvimento do nosso Estado, papel inclusive que a sociedade civil e também a imprensa podem ajudar a orientar.