O maior movimento político desta semana foi a mudança de partido do ex-deputado federal e atual pré-candidato a prefeito de Natal, Rafael Motta. Filiado ao PSB, Rafael percebeu há algumas semanas que precisava lançar sua pré-candidatura, sob pena de ficar desaparecido no tabuleiro político.
Ao lançar a pré-candidatura, ele afirmou que buscaria repetir em 2024, com coragem e ousadia, o que fez em 2022, quando foi candidato ao Senado: enfrentar as estruturas políticas mais poderosas. O eleitorado de Rafael, majoritariamente jovem, certamente acreditou nisso.

Entretanto, o PT foi ao comando nacional do PSB e forçou a legenda a retirar a pré-candidatura de Rafael a prefeito de Natal. A pré-candidata Natália Bonavides e o PT como um todo não quiseram ter Rafael como concorrente, para não correr o risco de dividir os votos da esquerda e perder para ele na ala menos radical dessa corrente ideológica.
Resultado: o PT tirou, pela força do poder, a pré-candidatura de Rafael pelo PSB do caminho e, aparentemente, não ofereceu sequer a vaga de vice como compensação.
Diante disso, não coube outra coisa a Rafael senão sair do PSB. Ele foi elegante na saída do partido, diferentemente do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que foi absolutamente deselegante com seu ex-correligionário.
Agora, o novo partido de Rafael Motta é o Avante. Se ele quiser, será candidato a prefeito, pois ninguém poderá impedi-lo.
O Avante é um partido pequeno, com pouco tempo de TV e pouco fundo eleitoral. Mas a ousadia de Rafael ao mudar para lá deve ter dado ao seu eleitorado uma certa energia para voltar a acreditar em um projeto jovem para a Prefeitura de Natal.
No entanto, especulações sugerem que Rafael pode diminuir sua relevância política se transformar a mudança apenas em um trampolim para ser candidato a vice na chapa de Carlos Eduardo (PSD), o que pareceria uma saída honrosa. Se seguir esse caminho, precisará entrar na fila, pois Carlos Eduardo ainda está aguardando a resposta do prefeito Álvaro Dias (Republicanos).
Se Álvaro apoiar Carlos, caberá a ele indicar o vice da chapa, deixando Rafael sem oportunidade. Caso Álvaro Dias não apoie Carlos Eduardo, a vaga de vice ficaria para Rafael, um cargo que teria total relevo, mas que o ex-prefeito Carlos Eduardo já disse em outras ocasiões que não tem a menor importância.