Papel fundamental na economia do Rio Grande do Norte, o turismo está relacionado direto ao Produto Interno Bruto (PIB) do estado. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN (Fecomércio RN), o segmento, junto aos setores de comércio e serviços representa mais de 70% do PIB estadual e tem importante participação na arrecadação.
Pautas de interesse econômico e turístico, como a engorda da praia de Ponta Negra e a contenção da erosão do Morro do Careca – principal cartão postal de Natal – são demandas ao poder público abordadas constantemente pelos setores privados.

A engorda, atualmente, vive momento de imbróglio entre a Prefeitura de Natal e o Governo estadual. O Instituto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Norte (Idema) diz que a emissão da Licença Prévia para a obra de engorda da Praia de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, ainda depende de informações a serem prestadas pela Prefeitura do Natal.
Já o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb) Thiago Mesquita diz que os dados solicitados não são imprescindíveis para a emissão da licença prévia e que a maioria das informações solicitadas pelo Idema, embora sejam relevantes, só foram pedidos agora, um ano após a Prefeitura do Natal ter apresentado o estudo de impacto ambiental ao órgão estadual.
Em meio a este impasse, a Fecomércio emitiu uma nota nesta quinta-feira 6 dizendo que é preciso que os órgãos deem “as mãos” para caminhar na mesma direção. “Sobretudo nos temas que envolvam o interesse coletivo e, em particular, ações que impactem diretamente o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Norte, da capital potiguar e do seu povo”, dizia o comunicado.
Com relação à obra de engorda de Ponta Negra, a Federação manifestou preocupação quanto à resolução de trâmites e que eles sejam adiados ou ocorram em prazo maior em virtude da falta de sintonia dos órgãos.
“Cumprir a legislação e mitigar os riscos de impactos ambientais negativos são pontos tão importantes como a necessidade de evitarmos o declínio irreversível de nossa praia mais famosa, o que traria um prejuízo incalculável para o turismo e, por consequência para nossa economia e nosso povo. Encontrar o equilíbrio entres estas duas vertentes deve, a nosso ver, ser o foco”, comunicou a entidade.
Ainda conforme o comunicado da Fecomércio, a atual situação não é de interesse público, econômico e nem do turista; a entidade aguarda uma resolução. “Não interessa a ninguém uma Ponta Negra engolida pelas marés altas e um Morro do Careca transformado em falésia.
Esperamos que esta união de esforços possa ocorrer o mais breve possível e que tenhamos a obra de “engorda”, alternativa reconhecida como viável, necessária e efetiva por todos os especialistas na matéria, levada adiante para legar uma nova praia de Ponta Negra ao povo potiguar e às centenas de milhares de turistas que nos visitam todos os anos”, afirmou.
Setor hoteleiro critica situação de Ponta Negra
Considerada um dos cartões postais de Natal, por contar com uma vista incrível para o Morro do Careca, a Praia de Ponta Negra é de extrema importância para a economia do Rio Grande do Norte.
Destino turístico, o local gera empregos, movimenta o comércio, impulsiona a indústria hoteleira e fortalece a imagem da cidade junto ao turista que vem ao RN buscando sol e mar. Para tornar o ponto ainda mais atrativo, foi planejada uma obra de engorda da praia que depende de emissão de licenciamento ambiental para começar.
Abdon Gosson, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio Grande do Norte (ABIH/RN), defende que a engorda precisa ser feita para que a região volte a ser atrativa aos turistas.
“O que acontece é que Ponta Negra vem sendo deteriorada, esquecida e quase que sendo destruída ao longo destes 10 ou 15 anos por todos os governos. A própria população está deixando de utilizar Ponta Negra. Quando a maré enche, as pessoas não podem ficar na beira-mar. Ela, agora, está causando erosão no pé do Morro do Careca, o maior cartão postal nosso. O calçadão da praia está todo quebrado, os acessos à praia bagunçados, não tem banheiros. Tudo aquilo que é abandonado e destruído, as pessoas da cidade abandonam e o turista também não vai utilizar”, adiantou.
De acordo com Gosson, a deterioração da orla ocasionou em menor tempo do turista na cidade; segundo o presidente da ABIH/RN, quem visitava Natal costumava ficar sete dias e agora permanece, em média, até cinco dias. “Isso prejudica a hotelaria, bares, restaurantes, passeios de buggy, vendedor de picolé da praia. Se é para o bem da maior indústria geradora de empregos de Natal, que é o turismo, precisamos nos unir para salvar [Ponta Negra] desta situação drástica como está hoje. Não se pode mais esperar, o que tinha que se esperar, já se esperou”, desabafou.
A resolução rápida, no entanto, pode servir para evitar que a região deixe de ser rentável ao estado. “Se Ponta Negra continuar como está, será a Ribeira de amanhã. A curto prazo. A Ribeira não tem o que fazer lá. Está totalmente abandonado. E a história da cidade está ali. Ponta Negra está no caminho disso e não podemos permitir isso em uma cidade como Natal que é o cartão postal do turismo no RN”, projetou Gosson.