O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central voltou a ignorar a pressão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de empresários pela redução dos juros e manteve nesta quarta-feira 21 a taxa básica (Selic) em 13,75% ao ano, sem sinalizar um corte à frente. Em comunicado, a autoridade disse que o cenário demanda “cautela e parcimônia” e disse ser necessário “paciência e serenidade”.
O colegiado do BC, porém, suavizou levemente o comunicado ao descartar a mensagem que falava sobre a possibilidade de voltar a elevar a Selic se o processo de desinflação não transcorresse como esperado. No encontro anterior, já havia baixado o tom nesse ponto ao afirmar que um eventual aperto monetário seria um cenário menos provável.

Sem falar em queda de juros, o BC disse que a conjuntura atual é caracterizada por um processo desinflacionário “que tende a ser mais lento” e por expectativas de inflação ainda preocupantes. Além disso, a autoridade monetária defendeu seu plano de voo ao dizer que “a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação”.
Ao falar sobre os próximos movimentos, o Copom se limitou a dizer que as decisões dependem de diferentes variáveis.
A sustentação da Selic no atual patamar veio em linha com a projeção consensual do mercado financeiro de que os juros ficariam estáveis pela sétima vez consecutiva –a quarta desde o início da gestão petista. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que essa era a expectativa unânime entre os analistas consultados.
Em maio, o IPCA (índice oficial de inflação do Brasil) desacelerou para 0,23%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No acumulado em 12 meses, ele recuou para 3,94% –a menor variação para o mês desde 2020.
No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação para este ano melhoraram, caindo de 5,8% para 5% e, para 2024, recuaram de 3,6% para 3,4%.
Com 2024 na mira, o colegiado do BC volta a se reunir nos dias 1º e 2 de agosto para recalibrar o patamar da taxa básica.
Alta da taxa de juros
O ciclo de alta de juros foi interrompido pelo Copom em setembro de 2022 depois de o BC promover o mais agressivo aperto da política monetária desde a adoção do sistema de metas para inflação, em 1999.
Foram 12 aumentos consecutivos entre março de 2021 e agosto do ano passado, com elevação de 11,75 pontos percentuais. A taxa básica saiu de seu piso histórico (2%) até atingir o nível atual de juros –o mais alto desde o fim de 2016.