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Política

Bolsonaristas criticam condenação de Eduardo, e PT reforça defesa da soberania

Aliados do ex-deputado falam em perseguição política; petistas classificam episódio como traição ao país e defendem atuação do STF
Por O Correio de Hoje
17/06/2026 | 15:19

A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou reações opostas entre aliados do bolsonarismo e integrantes do Partido dos Trabalhadores. Enquanto parlamentares ligados ao PL classificaram a decisão como perseguição política e injustiça, petistas aproveitaram o episódio para intensificar o discurso em defesa da soberania nacional, tema que tende a ganhar espaço na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por decisão unânime da Primeira Turma do STF, Eduardo foi condenado pelo crime de coação no curso do processo. A acusação sustenta que ele articulou uma tentativa de pressionar autoridades brasileiras por meio de ações junto ao governo dos Estados Unidos para interferir no julgamento da ação sobre a tentativa de golpe de Estado, processo no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado.

Eduardo Bolsonaro foto Zeca Ribeiro Câmara
Ex-deputado foi para os EUA em busca de retaliação por processo contra o pai - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a condenação é resultado de perseguição e criticou a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento.

“Alexandre de Moraes deveria se declarar impedido, já que em tese é a vítima. […] Parece claramente uma vingança, uma questão pessoal. […] Não estamos vivendo democracia plena”, declarou o senador nas redes sociais.

Flávio também sustentou que o Supremo não teria competência para julgar o irmão, argumentando que Eduardo perdeu o foro por prerrogativa de função após deixar o mandato de deputado federal.

Coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o Judiciário estaria adotando critérios distintos conforme o posicionamento político dos envolvidos.

“Durante a prisão de Lula, lideranças do PT recorreram a organismos internacionais e promoveram campanhas no exterior contra decisões da Justiça brasileira. À época, tais iniciativas foram tratadas como exercício legítimo da liberdade de expressão e da atuação política”, afirmou.

O senador acrescentou que “em uma democracia, é legítimo questionar decisões estatais e recorrer a instâncias internacionais para denunciar aquilo que se entende como abuso ou violação de direitos. O que não é legítimo é adotar critérios diferentes conforme a posição política de quem se manifesta”.

Do lado governista, parlamentares do PT reagiram classificando Eduardo Bolsonaro como “traidor da pátria”. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou: “Cadeia para o traidor da pátria”.

Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou: “Grande dia! O traidor da pátria, o Calabar, o Silvério dos Reis do Eduardo Bolsonaro acaba de ser condenado exatamente por isso: trair o Brasil. Muito bom STF, parabéns. Agora nós queremos que ele seja deportado para o Brasil e cumpra sua pena”.

O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também comentou a decisão.

“Sabe o que acontece com quem é cúmplice de golpe, trama contra a nossa soberania e tenta coagir instituições brasileiras? Quatro anos e dois meses de prisão, inelegibilidade de oito anos e perda do cargo público”, escreveu.

O episódio aprofunda a polarização entre governo e oposição em torno da atuação do Supremo Tribunal Federal e tende a influenciar o debate político nos próximos meses. Enquanto aliados de Eduardo Bolsonaro defendem que a condenação representa um caso de perseguição judicial, integrantes do PT tratam a decisão como uma resposta institucional em defesa da soberania nacional e das instituições democráticas.