A Polícia Militar do Rio Grande do Norte prendeu, no fim da manhã desta quarta-feira 17, mais dois suspeitos de envolvimento no atentado que matou o assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais e deixou ferido o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL). A ação, realizada em Mossoró, também resultou na apreensão de duas armas de fogo, que passarão por perícia para verificar se foram utilizadas no crime.
Com as novas prisões, chegou a quatro o número de pessoas detidas no âmbito das investigações. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, coronel Alarico Azevedo, a operação está sendo realizada de forma integrada pelas polícias militares do Rio Grande do Norte e do Ceará, dando continuidade às diligências iniciadas logo após o atentado.

Dos dois novos presos, um deles teria tido participação direta no ataque. Segundo as investigações preliminares, ele teria dirigido o carro usado no atentado. O outro homem preso teria dado apoio à ação.
Em entrevista à InterTV RN, Alarico ressaltou que a mobilização das forças de segurança começou imediatamente após o ataque, registrado na noite de segunda-feira 15. Segundo ele, ainda durante a madrugada foram montadas estratégias de atuação envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Segurança Pública, sob acompanhamento direto da governadora Fátima Bezerra (PT).
“A governadora suspendeu a agenda que cumpria em João Câmara e entrou em videoconferência com todo o sistema de segurança. Passamos a madrugada montando estratégias, enquanto as equipes já estavam em campo realizando diligências”, declarou.
O comandante fez um relato detalhado da perseguição aos suspeitos. De acordo com ele, após o abandono do Toyota Corolla utilizado no atentado, os criminosos fugiram por uma área de mata, mobilizando drones e equipes terrestres em buscas durante toda a madrugada.
Na manhã seguinte, a polícia recebeu informações de que os suspeitos estariam utilizando um Ford Ka para tentar deixar Mossoró em direção ao Ceará. A partir daí foi montada uma operação interestadual envolvendo o Comando-Geral da Polícia Militar cearense.
“Nós somos polícias estaduais, mas somos uma Polícia Militar do Brasil. Entramos em contato com o comandante-geral do Ceará e solicitamos apoio do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior e do Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas. Foi uma operação de integração interestadual e interagências”, afirmou.
Na tarde de terça-feira 16, dois homens identificados como José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas foram interceptados na CE-040, em Beberibe, quando estavam em um táxi que havia saído de Mossoró. Segundo a Polícia Militar, ambos confessaram participação no atentado ainda durante a abordagem e voltaram ao Rio Grande do Norte para os procedimentos policiais.
Durante o deslocamento, os presos indicaram aos policiais locais onde teriam escondido equipamentos utilizados na ação criminosa. Ainda na noite de terça-feira foi encontrado um colete balístico em uma área do bairro Belo Horizonte, em Mossoró.
Na manhã desta quarta-feira, equipes retornaram ao mesmo setor e localizaram mais dois suspeitos, além de apreenderem duas armas de fogo.
“Começamos as buscas nas primeiras horas do dia e retornamos ao local onde justamente foram encontrados esses dois indivíduos e o armamento”, explicou o coronel.
Outro ponto que passou a integrar a investigação é um suposto pagamento via Pix identificado na tela de um dos celulares apreendidos. Segundo Alarico, os suspeitos tentaram destruir os aparelhos no momento da abordagem, mas uma notificação permaneceu visível.
“Na tela do celular ficou como se tivesse congelada uma informação de um Pix. O valor que apareceu foi de R$ 10 mil. Agora, se foi recebido ou enviado, para quem foi ou de quem veio, isso será apurado pela Polícia Civil”, afirmou.
O comandante evitou relacionar o suposto pagamento a possíveis mandantes do crime ou à motivação do atentado, ressaltando que essa etapa ficará sob responsabilidade da investigação conduzida pela Polícia Civil.
“É muito recente para informar qualquer situação dessa natureza que possa levar para um lado ou para outro da investigação. É importante preservar esse trabalho para que a apuração seja concluída”, disse.
O caso
O atentado ocorreu por volta das 22h de segunda-feira, em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alto de São Manoel. Cabo Deyvison acompanhava uma mulher e uma criança que havia sido mordida por um cachorro quando ocupantes de um veículo passaram atirando diversas vezes contra o local. Informações preliminares apontam que havia três pessoas dentro do carro.
Os disparos atingiram o vereador, que foi socorrido e permanece internado no Hospital Regional da Polícia Militar, em Mossoró, com quadro considerado estável. O assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais morreu ainda no local.
Antes do ataque, Cabo Deyvison havia publicado vídeos denunciando ameaças atribuídas a integrantes de facções criminosas e afirmando que familiares também estariam sendo intimidados. A Polícia Civil informou que essa hipótese continua sendo analisada, mas ainda sem confirmação de vínculo direto com o atentado.
Alarico afirmou ter conversado pessoalmente com o vereador no hospital e disse que as informações repassadas por ele serão utilizadas no trabalho de inteligência das forças de segurança.
“Nós temos inteira disposição para dialogar, trazer informações e trabalhar em cima desses informes para gerar policiamento, prevenção, prisão de indivíduos e apreensão de drogas”, declarou.
O comandante também defendeu a atuação das forças policiais no combate às organizações criminosas e afirmou que os indicadores de violência seguem em queda no Estado.
“Nós trabalhamos com informação, inteligência e planejamento. Nossa função é combater essa criminalidade, diminuir esses índices e atuar de forma integrada entre Polícia Militar, Polícia Civil e inteligência. Esse trabalho está sendo feito e continuará sendo intensificado”, afirmou.